19.4.09 | Autor: Maria Augusta

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"A nação indígena dos Kaiapós habitava uma região onde não havia o Sol nem a Lua, tampouco rios ou florestas, ou mesmo o azul do céu. Alimentavam-se apenas de alguns animais e mandioca, pois não conheciam peixes, pássaros ou frutas. Certo dia, estando um índio a perseguir um tatu-canastra, acabou por distanciar-se de sua aldeia.

Inacreditavelmente, à medida que o índio se afastava, sua caça crescia cada vez mais. Já próximo de alcançá-la, o tatu rapidamente cavou a terra, desaparecendo dentro dela. Sendo uma cova imensa, o indígena decidiu seguir o animal, ficando surpreso ao perceber que, ao final da escuridão, brilhava uma faixa de luz. Chegando até ela, maravilhado, viu que lá existia um outro mundo, com um céu muito azul e o sol a iluminar e a aquecer as criaturas; na água, muitos peixes coloridos e tartarugas. Nos lindos campos floridos, destacavam-se as frágeis borboletas; florestas exu­berantes abrigavam belíssimos animais e insetos exóticos, contendo ainda diversas árvores carregadas de frutos. Os pássaros embelezavam o espaço com suas lindas plumagens.

Deslumbrado, o índio ficou a admirar aquele paraíso, até o cair da noite. Entristecido ao acompanhar o pôr-do-sol, pensou em retornar, mas já estava escuro... Novamente surge à sua frente outro cenário maravilhoso: uma enorme Lua nasce detrás das montanhas, clareando com sua luz de prata toda a natureza. Acima dela, multidões de estrelas faziam o céu brilhar. Quanta beleza! E assim permaneceu, até que a Lua se foi, surgindo novamente o Sol.

Muito emocionado, o índio voltou à tribo e relatou as maravilhas que viera a conhecer. O grande pajé Kaiapó, diante do entusiasmo de seu povo, consentiu que todos seguissem um outro tatu, descendo um a um pela sua cova através de uma imensa corda, até o paraíso terrestre. Lá seria o magnífico Mundo Novo, onde todos viveriam felizes."

Livro: Lendas e Mitos dos Índios Brasileiros
Autor: Walde_Mar de Andrade e Silva
Editora: FTD


Hoje é o Dia do Índio e para homenageá-los resolvi trazer esta lenda deste livro, cujo autor Walde_Mar de Andrade e Silva, tive o privilégio de encontrar no início deste ano durante uma visita ao Museu do Índio em Embu das Artes, próximo a São Paulo. Artista plástico tendo realizado dezenas de exposições no Brasil e na Europa, o tema de seu trabalho é a vida e a cultura dos índios brasileiros, viveu muitos anos entre eles a convite dos irmãos Villas-Boas. Atualmente é responsável pelo Museu do Índio no Embu, e apresenta com entusiasmo e paixão os objetos nele expostos (quinze minutos de conversa com ele e saimos de lá completamente cativados), que ele mesmo amealhou durante suas estadias nas aldeias indígenas brasileiras. Sua vida e sua obra também merecem ser conhecidas, pela abnegação com a qual se dedica à divulgação da cultura dos índios e do meio ambiente.

(CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO PARA VER NOSSAS FOTOS DO MUSEU)

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© Antonio Carlos Castejón (Flickr)



O texto da lenda e as fotos das obras de Walde_mar de Andrade e Silva foram tirados daqui, onde você poderá ler sua biografia e obter detalhes sobre o "Museu do Índio" do Embu.

Veja também o diaporama da UOL intitulado "Crianças índias das várias tribos do Brasil". LINDÍSSIMO!


Update 20/04/2009

O Gilrang nos trouxe nos comentários uma interessante dica sobre a literatura dos índios :

..."a livraria cultura publicou hoje o seu último número da revista da cultura, a qual apresenta um artigo da jornalista kelly de souza sobre a literatura indígena no brasil. eu recomendo a leitura a todos."

A Elma, no seu magnífico post sobre o construtivismo no blog Espaço das Artes, nos forneceu um link imperdível sobre a história e o simbolismo da arte marajoara :

Simbologia e arte nas culturas Marajoara e Tapajônica

A Vi publicou há algum tempo um excelente post sobre a situação dos índios brasileiros e a arte plumária (aqui).

E no "Le Jardin Ephémère" :

A Civilização Perdida da Amazônia descreve as evidências encontradas por cientistas de que teria havido nesta região uma civilização pré-colombiana que era mais adiantada que aquelas encontradas quando da chegada dos europeus.

Os Últimos Homens Livres : sobre a vida dos índios Zoé, uma das últimas tribos "intactas", que não sofreram ainda influências do "homem branco".

 

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14 comentários :

On 19 de abril de 2009 21:38 , Meire disse...

Maria Augusta to morrendo de raiva de mim por ter esquecido do dia do indio....

 
On 19 de abril de 2009 21:39 , Meire disse...

Maria Augusta to morrendo de raiva de mim por ter esquecido do dia do Inddio....

 
On 20 de abril de 2009 02:47 , gilrang disse...

maria,

estou no rio e, hoje mesmo, passei perto do antigo museu do índio, ali bem pertinho do maracanã. é um acinte o que aconteceu com aquele museu. prova da nossa pouca memória, do pouco valor que a cultura tem neste país.

mas, já que voce tão bem lembrou, a livraira cultura publicou hoje o seu último número da revista da cultura, a qual apresenta um artigo da jornalista kelly de souza sobre a literatura indígena no brasil. eu recomendo a leitura a todos.

 
On 20 de abril de 2009 08:12 , Maria Augusta disse...

Meire, acontece, estava com este post programado para este dia desde que visitei este magnífico museu e conversei com este artista indianista, senão talvez tivesse esquecido também pois este mês de abril é rico em acontecimentos como a Pascoa, a primavera daqui, e no Brasil, Tiradentes e o descobrimento.
Um grande beijo.

Gilrang, obrigada pela preciosa dica sobre a revista e o artigo, vale a pena mesmo lê-los.
Um abração.

 
On 20 de abril de 2009 10:22 , Georgia disse...

Maria Augusta, bom dia!!!


Que rico este seu post. Que imagens fantásticas e que vida maravilhosa em contato com a natureza.

Já copiei o link das "Criancas indias das várias tribos do Brasil", para o Daniel ver quando ele chegar da escola, sei que ele vai gostar.

Uma ótima lembranca a do dia do Ìndio que cada vez mais fica esquecido por nós e morre sufocado pela nossa selva de pedras.

Um beijo grande

 
On 20 de abril de 2009 14:04 , Eduardo P.L disse...

Ìndio quer apito! Já dizia a marchinha de carnaval, de outros tempos!

Abçs

 
On 20 de abril de 2009 19:31 , Elma Carneiro disse...

Olá Maria Augusta, linda a sua homenagem ao índio. Estive olhando o museu e fiquei encantada com a arte espontânea deles, sem a interferência do mundo exterior, ou melhor sem copiar imagens já existentes. Considero a arte pura, quando ela nasce da abstração do artista.
Meu objetivo com o Espaço das Artes é justamente falar dessa arte sem temas. Por isso digo modernidade. Começo fazendo uma retrospectiva, quando o homem começou a fazer arte por criação própria.
É muito extensa sua história, mas creio que tenho conseguido mostrar algo que possa direcionar as pessoas a entenderem o verdadeiro sentido da arte.
Não sou expert, mas faço minhas pesquisas e leio sobre essa nova arte que nem é tão nova assim.
Obrigada pela sua visita aos meus dois blogs, como também pela referência a minha última postagem. Tenho projetos de fazer apenas uma ou duas por mês, devido ser de grande profundidade e ocupa muito espaço. Aliás, elas já estão sendo citadas pelo Google nas pesquisas sobre arte, moderna “não figurativa”, e principalmente quanto ao construtivismo que deu origem as artes de um modo geral, inclusive na arquitetura. Ainda vou falar de Paul Klee, Piet Mondrian, Kasimir Malevich, da Bauhaus, De Stijl, Naum Gabo e outros tantos. Tenho muita estrada ainda pela frente.
Obrigada pelo comentário também no Caliandra do Cerrado. Você captou muito bem minha mensagem, e achei lindo quando você disse do "Que belo espetáculo fornece aos expectadores atentos, se vestindo e se despindo de flores.".
Seu blog , como sempre riquíssimo em cultura.
Querida, tenha uma ótima semana e vou reler a lenda dos índios Kaiapós, que adorei pelo sentido desobrigado de sua história pura, e sem influência de outras culturas místicas.
Beijos

 
On 21 de abril de 2009 08:25 , Meire disse...

Bom dia querida, e hoje é dia de Tiradentes, mas nao falei dele...este ano as datas estao passando...
Bjs

 
On 21 de abril de 2009 08:37 , Maria Augusta disse...

Georgia, eles vivem em harmonia com a natureza, aos poucos as pessoas estão começando a respeitar este modo de vida.
Um grande beijo.

Eduardo, me lembro desta marchinha, nos carnavais de minha infância.
Abraços.

Elma, teus blogs são de grande riqueza. Acho que você encontrou uma boa fórmula, tratando dos assuntos de modo aprofundado e fazendo poucas postagens por mês.
Obrigada pela visita e um grande beijo.

Meire, também não dá para postarmos para todos os dias especiais (rs)...
Um grande beijo.

 
On 21 de abril de 2009 12:26 , Aninha Pontes disse...

Maria Augusta querida, incrível como muitas vezes temos à nossa disposição coisa fantásticas como essas que você mostra aqui, e não aproveitamos.
Morei durante anos muito pertinho do Embu, e nunca conheci o museu.
Mas aqui, ficamos conhecendo e sabendo muito.
Obrigada por nos presentear com ricos posts.

Fiquei feliz que você tenha ouvido o especial.
Um beijo e uma ótima semana.

 
On 22 de abril de 2009 13:00 , disse...

Querida...chego tarde depois do feriado...que lindo....nossos indios merecem as homenagens...tudo a respeito deles é lindo..Obrigada pelo link.Como sempre uma postagem para guardar.beijos

 
On 23 de abril de 2009 09:13 , Maria Augusta disse...

Aninha, este museu é recente, data de 2005, acho que talvez seja por isto que você não o conhece. Gostei muito de ouvir Elton John no domingo e saber que estava conectada com vocês.
Beijos.

Vi, quando penso nas belezas criadas pelos índios, me lembro sempre daquele teu magnífico post.
Um beijão.

 
On 24 de abril de 2009 14:04 , acqua disse...

Gosto muito de ler as lendas dos índios. Não apenas do índios brasileiros. E sou sincera em dizer que lamento muito o que vejo acontecer com essa raça tão especial. Aqui no Brasil eles falam mais inglês que a própria língua deles e penso que aos poucos estão perdendo sua cultura e sua preocupação com a natureza. Tínhamos tanto a aprender com eles e eles que resolveram aprender com a gente e pelo visto não temos ensinado nada de bom, já que eles hoje são os grandes responsáveis pela venda ilegal de madeira na amazônia e outras áreas de proteção ambiental. Enfim, é a tal luta pela sobrevivência. Lamentável...

 
On 25 de abril de 2009 08:42 , Maria Augusta disse...

Lunna, é uma pena mesmo, o contato com o "homem branco" não trouxe nada de bom para eles. Hoje a política da FUNAI é de manter as tribos "intactas" completamente isoladas...mas até quando conseguirão?
Beijos.