13.10.09 | Autor: Maria Augusta

As passagens cobertas de uma rua à outra sempre tem um charme, especial, fornecendo alguns instantes de tranquilidade ao quebrar o ritmo frenético e os ruidos da cidade E nelas se tem a impressão que as coisas se passam num outro ritmo, as mudanças que ocorrem nas ruas as alcançam mais tarde, parecem que estão fora do tempo e do espaço. Em geral estas passagens se constituem em galerias comerciais (foram os embriões dos shoppings centers atuais), e muitas vezes nelas encontramos artigos ou produtos diferentes e originais, contrastando com a massificação do que vemos nos grandes centros comerciais.

Grandes Galerias ou Galeria do Rock em São Paulo

Quando morava em São Paulo, eu gostava muito das galerias da rua Augusta, onde se tinha um atendimento atencioso e personalizado, e sempre se achava algo especial naquelas pequenas boutiques escondidinhas nos cantos, que mais pareciam cavernas do Ali Babá. Mas em Sampa a maior concentração de galerias se encontra no Centro, onde elas começaram com a Galeria Guatapará nos anos 20 (instalada no local onde no passado funcionaram os estábulos das Indústrias Matarazzo) e floresceram com a expansão do "Centro Novo", entre os anos 50 e 60. Surgiram então a Ipê, a Califórnia, a R. Monteiro, a Nova Barão, a Metrópole (nela Plinio Marcos lançou sua primeira peça no “Ponto de Encontro”, um mixto de livraria e barzinho: “Dois Perdidos Numa Noite Suja”), a 7 de Abril, as Grandes Galerias. Mas hélas com o deslocamento do centro econômico da cidade para outros bairros (como a Avenida Paulista e a Av. Eng° Berrini) e devido à deterioração do Centro, para sobreviver elas tiveram que se dedicar a um comércio especializado, como é o caso das Grandes Galerias que se transformaram na "Galeria do Rock"... ou então se tornaram meras passagens para pedestres apressados...que prestando atenção poderiam observar belos murais como os de Bramante Buffoni nas Grandes Galerias, ou os pilotis de Niemeyer na Galeria Califórnia.

Painel de Bramante Buffoni nas Grandes Galerias (São Paulo)

Em Paris, muitas passagens cobertas ou galerias são atrações turísticas, existe até uma associação para conservá-las que organiza visitas monitoradas para os turistas. Suntuosas como a Galerie Vivienne, a Passagem Colbert ou a Passagem Jouffroy (que hoje abriga o Museu Grévin), populares como a Passagem Brady, elas eram verdadeiras marcas registradas da Paris no século XIX, quando eram mais de 150, das quais hoje só restam 20. Mas em Paris, a minha passagem coberta preferida fica perto do Rond Point dos Champs Elysées...ela é ultra-moderna, tem uma galeria de arte e um restaurante lá no fundo, com uma decoração linda tipo greco-romana. Depois de horas "batendo pernas" pela cidade, é muito bom sentar lá, tomar um copo de vinho, almoçar calmamente (às vezes tem até um pianista) e observar os badauds que passam.... Mas vamos às passagens cobertas de Paris, elas são lindas demais :

(se desejar, utilize os botões de leitura no alto do diaporama para controlar o desfile das imagens)








Fontes :

Galerias parisienses : fotos de Sylvain Sonnet via L'internaute

Galerias paulistanas : dissertação de mestrado "Edifícios e Galerias Comerciais : arquitetura e comércio da cidade de São Paulo, anos 50 e 60" de Cynthia Augusta Poleto Aleixo (São Carlos, 2005)

Veja também :

Galerias cobertas, grandes descobertas

1969/Galeria Metrópole


Update (14/10/2009)

A
Vi nos citou nos comentários uma outra galeria paulistana :

"...Conheço bem as galerias de São Paulo...aliás como curiosidade, dos anos 70 até o final dos 90...Eduardo manteve em baixo de sua famosa casa Bola uma passagem publica que ligava a Rua Amauri à Rua Peruíbe com diversas lojinhas e restaurantes...marcou época na cidade e é memória de muitos baby boomers paulistanos..."


O Marco fala de uma galeria em Santana :

"Aqui em São Paulo, ali para os lados de Santana tem uma galeria bem ao estilo francês, é uma rua sem saída, com alguns chalés, plaquinhas pequenas e lugares bem aconchegantes. Tem uma doceria lá que é jogo duro.

Ela tem um portão de ferro antigo que merece destaque, porque parece um daqueles portões de fazenda. Coisas de São Paulo."

A
Lunna disse : "...a Galeria Olido parece sobreviver..." Fomos ao Mr. Google e encontramos os seguintes dados sobre esta galeria, que foi restaurada em 2004 : (fonte aqui)

"Um dos principais projetos da Secretaria Municipal da Cultura, afinado com a proposta de revitalização do Centro, a Galeria Olido tem como focos a difusão e a produção cultural...


...A Galeria Olido conta com 9 mil metros quadrados e cinco pisos do prédio onde no passado funcionou o tradicional Cine Olido. No térreo há uma sala de 150 metros quadrados destinada a aulas de dança de várias modalidades; um posto de informações do Anhembi, responsável por apresentar a cidade aos turistas; uma sala de registro de depoimentos para o Museu da Cidade; um posto da Guarda Civil Metropolitana com atendimento 24 horas e um telecentro. Ainda no térreo, funciona o Espaço Piolim – centro de referência para palhaços e técnicas circenses – que tem um palco na marquise de frente para a rua Dom José de Barros. Na sobreloja, há um salão de exposições, que também pode ser usado para eventos, além de uma oficina de reciclagem de componentes de hardware para computadores.


No primeiro andar está instalada uma sala de espetáculos com capacidade para 300 pessoas e acústica projetada para música. Ainda nesse piso, o usuário pode usufruir de um espaço de aproximadamente 400 metros quadrados dedicado a exposições de artes visuais. O segundo andar tem um grande espaço reservado à dança contemporânea: quatro salas para ensaios – onde companhias de dança fazem projetos de residência artística – e um teatro com 128 lugares. No mesmo piso há um cinema com capacidade para 240 pessoas. O último andar abriga o projeto de cultura digital, incluindo os laboratórios de produção de áudio e vídeo, o laboratório hacker, salas de ensaio musical, uma web rádio e um centro de artes gráficas e web design."


Update (14/10/2009)

A Meire nos fala de uma galeria mineira :

"...tenho uma recordaçao de uma Galeria em Belo Horizonte que eu frequentava com meus primos quando ia passar minhas ferias na capital mineira, creio que se chamava Galeria do Ouvidor."

E a Georgia de uma galeria de Düsseldorf, na Alemanha :

"...Em Düsseldorf temos a Galeria Kö; uma das galerias mais caras da Alemanha; os relógios ali custam a partir de 8 mil euros, uma bagatela se vc encontra até por 25 mil euros..."



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16 comentários :

On 13 de outubro de 2009 00:41 , Eduardo P.L disse...

Muito criativa, inusitada e interessante abordagem de um tema simples, que na verdade tem muito a dizer sobre a vida das cidades!
Embora morando na França, descreve São Paulo melhor que muito paulistano, entre esses me incluo!
Parabéns! Um novo e ótimo post!

 
On 13 de outubro de 2009 01:18 , Wania disse...

Lindissímas passagens, Maria Augusta!

Impossível passar por ali e não admirar estas belezas arquitetônicas. Será que tem gente que consegue não ver???

Que pena, olhos apressados perdem muita coisa bonita, não é mesmo?

Bjs e boa semana pra ti

 
On 13 de outubro de 2009 02:18 , João Menéres disse...

Tantas vezes estive em Paris e nunca descobri nenhuma!
Nunca ninguém me falou de nenhuma !!!
Fiquei maravilhado!
Vamos a ver se volto a Paris...

Esta tua postagem é outra fantástica presença na blogosfera!
O que se aprende no teu blogue!!!...
E descreves com muita clareza a história das passagens e das galerias!

Faço uma sugestão: dá mais tempo a cada fotograma no slideshow...Está muito acelerado e não dá tempo a ser visto à primeira.

Um beijo e os parabéns agradecidos da comunidade blogueira.

 
On 13 de outubro de 2009 02:27 , expressodalinha disse...

Também as há com interesse na Bélgica e até em Londres, mas Paris é a rainha. Por cá não temos muito esse hábito, salvo nas galerias do Metro, que por mais novo tem mais espaço. Mas o comércio é, obviamente, desinteressante. Fiquei curioso com essa "Galeria do Rock".

 
On 13 de outubro de 2009 08:42 , Maria Augusta disse...

Eduardo, conheço bem São Paulo porque sou paulistana e estou nanceiense rs...aliás nasci em São Paulo no dia do aniversário da cidade...a maior parte da minha vida vivi lá, minha vinda para a França é relativamente recente.
Abraços.

Wania, no centro da cidade as pessoas passam apressadas e não prestam atenção à arquitetura...sem falar nos cuidados devido à presença de desocupados.
Um beijão.

João, obrigada por me avisar deste problema de leitura, vou aumentar o tempo de exposição. Pode-se também interromper o desfile de imagens no botão quadradinho de pausa no alto do diaporama e fazê-lo continuar usando a seta que se encontra ao lado dele.
Quanto às galerias, existem circuitos de vários tipos com guias para visitá-las (o link é http://www.passagesetgaleries.org/), deve ser muito interessante.
Um grande abraço.

Jorge, a "Galeria do Rock" fica no Centro Novo de São Paulo, e é um "point" para quem gosta de rock. Você pode ver neste link (http://sampacentro.terra.com.br/historico.asp?id=202&ph=10&hist=1) um pouco mais sobre ela.
Um grande abraço.

 
On 13 de outubro de 2009 18:18 , Ví Leardi disse...

Minha querida amiga...como sempre vir aqui é viajar de primeira classe e em grande companhia....Conheço bem as galerias de São Paulo...aliás como curiosidade, dos anos 70 até o final dos 90...Eduardo manteve em baixo de sua famosa casa Bola uma passagem publica que ligava a Rua Amauri à Rua Peruíbe com diversas lojinhas e restaurantes...marcou época na cidade e é memória de muitos baby boomers paulistanos...mas as de Paris,mesmo já lá tendo ido tantas vezes,não conheço todas as que vc coloca aqui...que maravilha, vou guardar este teu post ...assim na próxima (que espero seja já este ano que entra)tentarei ir a todas!
Espero vc e Michel estejam bem...Saudades ...

Parabéns pelas palavras do Jorge em relação a este teu lindo espaço tão cultivè...Uma honra ser citada assim por ele...é ou não é?

:-) beijos

 
On 13 de outubro de 2009 19:52 , Lunna disse...

Há tempos que não vou a Galeria do Rock, mas acho lamentável que não dediquem "tempo" $$$$ para melhorias naquele lugar.
Há pouco tempo o museu do disco perdeu-se e virou estacionamento, aliás, aqui em São Paulo tudo anda virando estacionamentos.
Há de se lamentar pois aos poucos o centro velho vai perdendo um pouco do seu charme.
Enfim, a Galeria Olido parece sobreviver. Beijos carissima

 
On 13 de outubro de 2009 20:12 , Marco disse...

Aqui em São Paulo, ali para os lados de Santana tem uma galeria bem ao estilo francês, é uma rua sem saída, com alguns chalés, plaquinhas pequenas e lugares bem aconchegantes. Tem uma doceria lá que é jogo duro.
Ela tem um portão de ferro antigo que merece destaque, porque parece um daqueles portões de fazenda. Coisas de São Paulo. Grande abraço

 
On 13 de outubro de 2009 21:35 , Celia disse...

Essas galerias ou passagens como vc fala, sao realmente muito bonitas, e um bom lugar pra passear. Essas suas fotos estao demais; lindas lindas. Bj

 
On 13 de outubro de 2009 23:14 , Eduardo P.L disse...

Maria Augusta,

mais um blog escolhe o seu como um dos três melhores entre os inscritos de Setembro. Infelizmente não foi possível inscreve-lo na lista dos blogs que cumpriram as TAREFAS.
Vide:
http://marialynce.wordpress.com/2009/10/13/a-gincana-atrasada/#comment-358

 
On 14 de outubro de 2009 08:48 , Maria Augusta disse...

Vi, tudo bem por aqui, estou contente por vê-la de volta à blogosfera. Fiquei muito feliz com as palavras do Jorge a respeito deste blog, parabéns a você também pelas que ele endereçou ao Novitá, você merece. Aliás devo dizer que fiquei agradavelmente surpresa ao ver quantos amigos colocaram este blog entre seus favoritos, eu agradeço mais uma vez de coração, e digo que o carinho de vocês é um grande incentivo para manter este blog e cuidar do seu conteudo.
Um grande beijo.

Lunna, é duro ver imóveis interessantes se transformarem em estacionamentos, né? Mas no Centro Velho senti que houve uma melhora no sentido de conservar o patrimônio, o que não percebi no Centro Novo. Mas esta restauração da Galeria Olido é um bom sinal, obrigada por nos trazer esta informação.
Beijos.

Marco, não conheço esta galeria de Santana, que bom que você nos falou dela, é bom falar também das coisas interessantes que ocorrem nos bairros.
Abração.

Célia, as galerias de Paris são cuidadas, cheias de história e bem conservadas, pelo menos as famosas.
Um grande beijo.

Eduardo, obrigada por me avisar sobre o fato que a Marialynce elegeu este blog entre seus favoritos. Seu "Polia's blog" é especial, adoro os posts que ela apresenta sobre ciência, mitologia, seus lugares mágicos, seus objetos design, tudo apresentado de forma a buscar os mistérios mais profundos que se encontram atrás das coisas.
Um abração.

 
On 15 de outubro de 2009 09:08 , Meire disse...

As galerias tem seu charm que nenhum shopping conseguiu, cito a Galeria La Fayette que sempre ouvia falar e que conheci quando fui pela primeira vez a Paris, e tenho uma recordaçao de uma Galeria em Belo Horizonte que eu frequentava com meus primos quando ia passar minhas ferias na capital mineira, creio que se chamava Galeria do Ouvidor.

Bjs

 
On 15 de outubro de 2009 14:15 , Georgia disse...

Maria Augusta que belo e elegante post esse. Que passeios gostosos que fiz por aqui hoje.

Eu gosto demais das galerias, os shoppings sao mais para compras mesmo e eles nao têm esse charme qua as passagens têm. Em Düsseldorf temos a Galeria Kö; uma das galerias mais caras da Alemanha; os relógios ali custam a partir de 8 mil euros, uma bagatela se vc encontra até por 25 mil euros.
Mas digo que os canto de leituras esses sao mágicos e nao há dinheiro que pague.
Você citou bem os da rua Augusta, visitei alguns quando tinha que ir lá visitar parte da família e o ambiente bem diferente do Rio de Janeiro.

Parabéns pelo post e pelo apoio lá na Saia Justa, obrigada

Um grande beijo

 
On 15 de outubro de 2009 23:15 , sonia a. mascaro disse...

Maria Augusta, concordo com o Eduardo, você mesmo morando na França conhece as galerias de São Paulo melhor do eu, que sou paulistana...

Acho muito atraentes estas galerias, principalmente as que têm mesinhas para tomarmos um café ou um sorvete. Fiquei encantada com o slide show, principalmente com a Galerie Vivienne (com uma atraente banca de revistas)e a Passagem dos Panoramas.

PS: Obrigada pela visita ao meu jardim amanhecendo. Sou uma pessoa que dorme bem tarde da noite, mas algumas vezes acordo cedo para ver o amanhecer, como foi nesse dia.

 
On 16 de outubro de 2009 09:12 , Maria Augusta disse...

Meire, a Galeria Lafayette se tornou uma grande loja de departamentos, nunca deixo de passar por lá quando vou a Paris, mesmo que seja só para visitar, ela fica na linha de metrô que pego para ir à Gare do L'Est, de onde saem os trens para Nancy.
Beijos.

Georgia, a rua Augusta é especial, apesar do problema do estacionamento e da ladeira, sempre preferi ir lá quando procurava algo especial...e sempre achava.
Um beijão.

Sonia, é porque eu também sou paulistana, e apesar de morar fora estou sempre antenada com o que se passa na cidade. Tuas imagens do nascer do sol estão maravilhosas.
Um beijão.

 
On 2 de junho de 2013 19:58 , Sara disse...

É ótimo ver esse tipo de coisa, eu sempre gosto de ir para comer nesses lugares, mas acho que desta vez eu vou para comer com meu familia a os restaurantes em santana