13.7.09 | Autor: Maria Augusta

Max Ernst no Arizona

Max Ernst foi sem dúvida um grande nome da arte no século XX, um visionário, criador de formas de uma imaginação excepcional. Pintor, escultor e desenhista ele participou do movimento dadaista, do surrealismo, e foi evoluindo e fazendo evoluir a arte do século XX, durante sua passagem por vários paises, como a Alemanha, a França, a Itália, e os Estados Unidos.

Um dos lados menos conhecidos de seu trabalho (pelo menos para mim) é sua obra gráfica, da qual faz parte seus romances-colagens. Ele realizou três, Uma mulher 100 Cabeças, Sonho de uma Garota que iria entrar para o Carmelo e Uma Semana de Bondade, sendo que este último se encontra em exposição no momento no Museu d'Orsay em Paris (até 13 de setembro). A importância desta mostra é grande, pois é a primeira vez desde 1936 (quando foi exposta na Espanha à beira da guerra civil) que esta obra é exibida publicamente em sua totalidade.

ernst

Nela, ele traça um retrato sombrio da sociedade de sua época, utilizando pessoas, animais, figuras da mitologia grega, para criar as cenas e imagens que vão compondo seu romance surrealista onde os temas dominantes são o poder, a violência, os assassinatos e as catástrofes. O material utilizado para as colagens ele obteve em jornais, periódicos e livros do século XIX. A técnica de suas colagens é tão perfeita que é dificil de encontrar o limite entre as colagens, embora ele muitas vezes tenha utilizado lápis e tinta para fazer as ligações.

Pessoalmente, achei o resultado meio deprimente pelo seu "enredo", mas a obra em si genial pela mistura de técnicas, de universos, e de épocas (o desenho com a colagem, a realidade com a mitologia, e a crítica ao século XX através do material produzido no século XIX). Neste diaporama coloquei algumas das colagens desta "Uma Semana de Bondade"...que de boazinha não tem nada rs,(use as setas para se deslocar entre as páginas)...vale a pena dar uma olhada.

Fonte : Musée d'Orsay

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10 comentários :

On 13 de julho de 2009 12:25 , Eduardo P.L disse...

Que MARAVILHA de postagem, Maria Augusta! Este seu blog esta prá lá de cultural. Gosto da forma direta e objetiva ( própria de engenheira) de tratar dos temas!
Parabéns! Que venham mais!

 
On 13 de julho de 2009 15:00 , Diz disse...

Vc é demais mesmo, tem um cuidado, é perfeccionista.
Parabéns.
Merci pelo comentário sobre o conto- eu acho q meus contos não agradam a maioria, só os especiais como vc :)
bjs Laura

 
On 13 de julho de 2009 19:13 , sonia a. mascaro disse...

Eu não conhecia esse lado da arte de Max Ernest... Incrível esse seu post, Maria Augusta! Sempre amplio meus conhecimentos, principalmente sobre arte, quando venho aqui.
Beijos e uma ótima semana.

 
On 13 de julho de 2009 19:33 , Luma disse...

Que loucura!! Ele fez diferente para a época, parou de fazer sempre igual, as pré definições estéticas não eram importantes para ele e sim o que o subconsciente mandava que fizesse. Os trabalhos apenas 'fluiam' e por isso um dos primeiros pintores surrealistas. Era um possuido! Gosto muito de Europe after the rain
Boa semana! Beijus

 
On 13 de julho de 2009 21:51 , Elma Carneiro disse...

Maria Augusta
Sobre a postagem anterior, acredito ter feito uma analise rápida dos artistas expostos porque se fosse por minha escolha certamente que seriam outros, porém incluindo Picasso, sem desmerecer também Pierre Soulages e Alexander Calder.
Creio ter entendido que falasse sobre os que foram citados na pesquisa do jornal "Le Fígaro"
Vou me opor ao ponto de vista do Eduardo se me permite, mas respeitando a dele certamente. São apenas algumas divergências, no que diz respeito a Duchamp.

Marcel Duchamp foi um homem que sempre ironizou e brincou com a arte de forma irresponsável.
A arte é algo muito mais sério do que brincar com um urinol (que ele comprou numa loja de materiais de construção usados) para participar de um concurso em que ele usou outro nome "R. Mutt" para esconder sua assinatura.
Duchamp também interferiu em uma reprodução da Mona Liza de Leonardo da Vinci, colocando-lhe um ridículo bigodinho e apareceu também numa foto travestido de Rose Sélavy, e nomeava suas coisas de criação. Acredito até que sua “arte” tenha alguma explicação psicanalítica.
E tem mais coisas absurdas dele por aí.
Se chamar atenção sobre si mesmo foi sua intenção ele conseguiu, pelo menos criou muitas polêmicas.
Talvez fosse um pichador de muros frustrado e incapaz de criar sua própria arte.
Discutir arte é algo que também pode ser relativo e cada um tem o direito de fazer suas escolhas.
Quanto ao Max Ernst, tenho pouco a falar sobre ele e seu estilo de pintura. Há quem goste e outros que não dão importância.
Muito interessante suas postagens que nos convidam a dar nossas opiniões, interagir.
Beijão querida.

 
On 13 de julho de 2009 23:15 , Aninha Pontes disse...

É verdade Maria Augusta, aqui aprendemos, e muito.
Já vi muita coisa aqui no seu blog, que nunca tinha visto antes. Alipas nem tinha idéia de que existisse.
Um beijo.

 
On 14 de julho de 2009 09:23 , Maria Augusta disse...

Eduardo, obrigada, as "deformações profissionais" às vezes ajudam rs.
Um abração.

Laura, sempre fico pasma vendo como você consegue condensar tantas sensações e emoções em poucas linhas. Teus contos são geniais!
Um grande beijo.

Sonia, ele foi um artista com diversas facetas, esta é uma das menos conhecidas, embora igualmente genial.
Um beijão.

Luma, ele foi um vanguardista com uma imaginação enorme, um grande do século XX sem dúvida.
Beijos.

Elma, sem dúvida teus comentários e os dos amigos que aqui deixam suas opiniões são sempre muito enriquecedores, aprendo muito com eles. Realmente a lista que apresentei se limitava aos 3 primeiros mais votados pelos leitores do Figaro, e as opiniões de vocês ampliaram bastante o leque. A arte do século XX trouxe este tipo de polêmica como a gerada por Duchamp, esta ironia que fez repensar o conceito de arte.
Obrigada por suas considerações e um grande beijo.

Aninha, vou trazendo aqui para o blog o que vou descobrindo, e o fato de preparar o post é um modo de me aprofundar nos assuntos e assim aproveitar mais. Mas com certeza se não soubesse que vocês ver ler e trocar idéias comigo, o prazer não seria tão grande.
Um beijão.

 
On 14 de julho de 2009 16:38 , Marco disse...

Vivendo e aprendendo, eu ainda não tinha ouvido falar nesse artista. Vou pesquisar mais, gostei. Grande abraço

 
On 16 de julho de 2009 21:13 , marialynce disse...

Não conhecia todas estas obras gráficas de Max Ernst, que é um artista interessantíssimo. Tal como Duchamp, que pode não se gostar particularmente, pois não obedece ao cânone clássico, mas o seu valor incomparável para a transformação de um novo e moderno conceito de arte é inegável. Duchamp ousou mudar o conceito de arte, num acto premonitório que abria as mentes às grandes transformações do que viria a ser a arte moderna, nomeadamente pela importância da ideia na concepção artística.
Mais uma vez uma apresentação magnífica e eficaz.
Beijos!

 
On 17 de julho de 2009 08:12 , Maria Augusta disse...

Marco, Ernst "acompanhou" a evolução da arte do século XX, o movimento "dada", o surrealismo e trabalhou também com os americanos como Pollock. Vale a pena conhecê-lo melhor.
Abraços.

Marialynce, também descobri a arte gráfica de Ernst com esta exposição. Obrigada por trazer sua opinião sobre a arte no século XX, este assunto sempre suscita debates e isto é muito bom.
Um beijão.