Fotos da exposição "Pinturas e Platibandas" de Anna Mariani (fonte aqui) Como vocês sabem sempre fui fascinada pelos meandros mentais que conduzem à criação de uma obra, seja qual for o domínio. E acho estes caminhos ainda mais fascinantes quando eles se cruzam entre si convergindo para um único objetivo, ou se somam, fazendo com que uma primeira idéia se concretize e dê origem a um outra criação, em um domínio bem diferente. Querem um exemplo? Vou dar um nome, Anna Mariani...ela é uma brasileira, fotógrafa consagrada já tendo percorrido o país com sua câmera na mão captando a beleza principalmente que vem da simplicidade. Já expôs sua obra no Brasil e no mundo e publicou vários livros, entre eles "Fachadas e Platibandas", uma série de fotos de casas populares em cores delicadas (..."as pinturas à base de cal dessas casas, elaboradas sobre fachadas e platibandas, é resultado da transparência e da luminosidade que só é possível graças às práticas tradicionais de caiação"...), que contrastam com a terra seca e craquelada do sertão do Nordeste do Brasil. Agora vou falar de um outro nome Danielle Jensen, designer da grife Maria Bonita especializada em temas brasileiros para suas coleções. Entre estes temas, ela já se inspirou na obra da arquiteta Lina Bo Bardi para criar o figurino para inverno de 2010, e desta vez seu olhar se deteve no trabalho de Anna Mariani sobre as casinhas populares nordestinas, e suas cores suaves e geometrias a inspiraram para a criação de sua coleção verão 2010/2011, que foi apresentada na semana passada na SPFW. Como ela transformou as casinhas e a terra nordestina em vestidos e sapatos? Através dos materiais ousados (como o tecido feito com lâminas da madeira pau marfim ou oriunda do reflorestamento articuladas em forma de mosaico), as cores ( a areia foi evocada pelos tons dourados da coleção) e as estampas (como a que imitava a terra craquelada pela seca). Alguns detalhes foram muito bem bolados, como os chapéus "de cangaceiro" ligados às blusas por uma alça de violão. Como o resultado foi simples no conceito e sofisticado na execução, pessoalmente gostei muito (se desejarem ver o desfile completo, cliquem aqui), achei magnífico entre este encontro da moda com a arte, ambas fazendo declinações sobre o mesmo tema.
Fontes : A arquitetura do sertão nas fachadas de Anna Mariani YouTube - Anna Mariana - Pinturas e Platibandas -Roda da Moda MariaBonita interpreta, com poesia e rigor de moda, as casas Nordestinas- UOL
E se você mora em São Paulo ou for até lá, aí fica a dica da exposição : Anna Mariani: pinturas e platibandas De 17 de junho a 1 de agosto de 2010 De terça a sexta, das 13h às 19h. Sábados e domingos, das 11h às 18h Entrada franca. Instituto Moreira Salles – São Paulo-SP Rua Piauí, 844, Higienópolis Tel.: 11 3825-2560 |
Damien Hirst e seu "Tubarão" lepoint.fr ©VALERY HACHE / AFP Muito se tem discutido sobre o valor artístico (e financeiro...) da arte contemporânea. E sem dúvida, um dos artistas mais controvertidos de nossos dias é Damien Hirst. Ele coleciona "escândalos" seja pelo insólito de sua obra, seja devido aos preços que seus trabalhos alcançam no mercado internacional. É chamado "o tubarão", talvez devido à sua obra mais célebre, um tubarão gigante mergulhado em um tanque de formol que foi vendido a um milionário americano pela bagatela de 12 milhões de dólares. Em 2007 ele tornou a fazer sensação criando um crânio de platina cravejado de diamantes avaliado em 100 milhões de dólares (dizem que ele não o vendeu e que ele foi desmontado para recuperar as pedras). Em 2008 ele continuou a criar o espanto, vendendo 223 obras inéditas por 89 milhões de dólares na Sotheby's...sem falar que suas exposições contem sangue de animal espirrado nas paredes e nas obras. Mas a verdadeira questão é : "Qual é o verdadeiro valor de suas obras"? Pessoalmente, não sou fã, acho horrível aquela ovelha cortada ao meio imersa no formaldeido que está no diaporama abaixo por exemplo. Este mostra algumas de suas obras que estão sendo expostas no Museu Oceanográfico de Mônaco atualmente (clique nas miniaturas para ampliar as imagens ou use o "fullscreen"). Será arte ou não? Fonte principal : Le Point (lepoint.fr) |
Frantz Zephrini - uma das primeiras obras feitas no Haiti depois do seisma (fonte aqui)
Há alguns dias vi na televisão um concerto (aqui) onde artistas e personagens políticos e da mídia em geral se apresentavam para angariar fundos para a reconstrução do Haiti. Muito louvável, mas de tudo o que assisti neste programa, o que mais me agradou foi o discurso do ministro da cultura francês Fréderic Mitterrand. Ele citou o escritor haitiano Dany Laferrière, que disse em resumo : "Este país é pobre e sofreu uma catástrofe natural, mas não se deve olhar os haitianos como um povo de mendigos. Sua cultura é riquíssima e devemos ter isso em mente e respeitar sua dignidade". Então falou da importância da cultura para este povo, e que no ano de 2009 três entre os maiores prêmios literários de língua francesa foram ganhos pelos escritores haitianos e que sua pintura é célebre e renomada no mundo todo. Fiquei curiosa a este respeito, pesquisei e no site do jornal jornal "Le Monde", encontrei o link para a galeria Monnin, que traça um histórico dos artistas haitianos, da espontaneidade dos "naïves", até a evolução na direção do "fantástico". São realmente trabalhos magníficos, tudo muito colorido e com luz difusa que realça as obras como se elas emanassem uma luz interior, talvez a manifestação do forte misticismo que habita esta cultura. Veja alguns exemplos (passe o mouse sobre as fotos para ver as legendas) :
Esta galeria felizmente resistiu ao seisma, mas as obras que estavam no palácio presidencial desapareceram, e daquelas que estavam no museu Nader, uma enorme galeria particular contendo mais de 15000 obras dos mestres haitianos, poucas se salvaram. Além disso, os afrescos da igreja episcopal de Santa Trindade (foto abaixo) que eram verdadeiras obras-primas também foram perdidos.
©Jean-Claude Coutasse pour "Le Monde"
Mas o mais importante são sem dúvida as perdas humanas...confesso que não ousei pesquisar para saber quantos artistas entre os citados no diaporama acima ainda estão em vida. No entanto, a reconstrução já começou...os que sobreviveram colocaram "mãos à obra" e alguns tais como Frantz Zephirin acreditam mesmo que a tragédia pode servir como um eletrochoque para fazer seu povo despertar e buscar melhores condições de vida. Outros, como Jean-Louis Henri (foto abaixo) que está completamente traumatizado, preferem partir e se reconstruir no Exterior...mas deixando imortalizado sobre uma tela este momento de seu país.
© Jean-Claude Coutasse pour "Le Monde"
Todos reconhecem que o trabalho deles não será nunca mais o mesmo depois do que viveram neste 12 de janeiro. Mas não são pessimistas, como diz Reynald Joseph "Um quadro é um objeto artístico. E a arte não é feita para falar de tristeza. Mesmo deprimido, machucado, um haitiano se mantem de pé". Só nos resta desejar que a essência da alma haitiana emanada destas obras de arte, possa ajudar este povo a se reerguer.
Fonte dos depoimentos e das fotos : jornal "Le Monde" (aqui).
Outras obras dos artistas que estão no diaporama no site da Galeria Monnin (aqui).
Jóias desenhadas por Philippe Starck para Baccarat em 2008 (fonte aqui) Já falei aqui várias vezes sobre o quanto aprecio as artes decorativas, porque nela o cuidado com a forma e a estética são levados a cada objeto do cotidiano. Pena que os objetos criados pelos designers para a arte decorativa, são caros e nem sempre estão ao nosso alcance se desejarmos possuí-los, mas se quisermos simplesmente apreciá-los tudo se torna mais fácil...pois entrar em uma loja que vende estes produtos que são verdadeiros objetos de arte é como entrar em um museu ou uma galeria para admirar as artes tradicionais...com a diferença que as lojas são bem numerosas que os museus rs. O costureiro Jean-Paul Gauthier desenhou estas garrafas realizadas com cristal Baccarat para a água Evian (fonte aqui) Uma das indústrias que uniu o útil ao agradável e transformou seus produtos em verdadeiros objetos de arte foi a fábrica de cristais Baccarat. Ela é muito antiga, data da época de Luís XV, quando começou a fabricar objetos de vidro, passando a fabricar os famosos cristais que fizeram sua fama no século seguinte. E desde então não parou de fornecer objetos de cristal para o mundo inteiro. E um dos elementos que a manteve ativa foi o fato de colocar seus vidros e cristais prestigiosos a serviço de outras indústrias, como por exemplo a de perfumes. Outro exemplo feliz foi sua associação com a indústria de água mineral Evian para criar a série de garrafas acima, com desenho de Jean-Paul Gauthier, porisso foram chamadas de garrafas "alta costura". Os perfumes "As lágrimas de Tebas", "Uma noite estrelada em Bengala" e "Um certo verão em Livadia" concebidos por Christine Nagel para Baccarat. Os frascos são do designer Federico Restrepo (fonte aqui) Eles também se diversificaram criando os próprios perfumes como a trilogia acima e uma linha de jóias associando o cristal ao ouro e às pedras preciosas. Mas o que contribuiu muito para o prestígio e para a beleza dos objetos por ela criados foi a associação com designers famosos para criar suas coleções, transformando seus objetos em verdadeiras esculturas de cristal. Já trabalharam para a cristaleria nomes importantes do design interncional, tais como o italiano Roberto Sambonet, Salvador Dali, Jaime Hayon e Philippe Starck entre outros. Peças criadas por Jaime Hayon, Robert Rigot e Roberto Sambonet para Baccarat (fonte aqui) Este ano a coleção está "saindo do forno"...e o artista convidado para realizá-la é o badalado designer Marcel Wanders, que inspirado na natureza de sua Finlândia natal desenvolveu toda uma série de vasos, frascos, copos, lustres, sob o nome de "United Crystal Woods"...então os chifres de um veado da floresta se transformaram em um candelabro, uma lebre se metamorfoseou em um balde de gelo, e as flores se espalharam pelos vasos em profusão...vejam em quase "primeira mão" : (fonte aqui)
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Mosteiro de São Bento, tratamento numérico feito por mim a partir de uma foto tirada no mirante do Banespa (2009) Hoje São Paulo, a gigante, está completando 456 anos...velha ou moça, depende do referencial, não é mesmo? Mas apesar de toda a sua idade ela ainda guarda alguns mistérios, lugares secretos onde o comum dos mortais não tem acesso, embora possa imaginá-los a partir da beleza ou da imponência exterior. Um deles é o interior do Mosteiro do São Bento, que vai abrir excepcionalmente para este aniversário, para apresentar uma exposição de arte contemporânea chamada "Arte e Espiritualidade". Este prédio foi construido entre 1910 e 1914, no entanto a ordem religiosa que lhe deu origem está neste local desde 1600. Nele, que abriga 42 monges, já funcionou um cineclube que costumava passar filmes de Ingmar Bergman e um teatro que revelou Sérgio Cardoso, mas estava fechado ao público desde os anos 1960. Para esta exposição serão abertas as salas do colégio e da faculdade, o parlatório do mosteiro e a capela do colégio, que foi reformada para a visita do papa Bento XVI a São Paulo. Nesta podem ser vistos belos vitrais e afrescos do pintor austríiaco Thomas Scheuchl. O claustro (jardim interno que os monges usam para meditar) permanecerá fechado mas poderá ser percebido a partir das janelas de uma das salas de exposição. A mostra "Arte e Espiritualidade" traz pinturas, fotografias e instalações contemporâneas que investigam o papel da espiritualidade no mundo moderno e são da autoria de Carlos Eduardo Uchôa, José Spaniol e Marco Giannotti. "No primeiro piso da exposição, José Spaniol apresenta obras da série balanças e lousas nas salas do Parlatório do Mosteiro. Para o teatro, Spaniol e Giannotti criaram uma vídeoinstalação sobre o tempo. Nas salas subseqüentes, os artistas Marco Giannotti e Carlos Eduardo Uchôa apresentam pinturas de grande escala e duas interpretações distintas sobre a via Crucis em 14 estações. O segundo andar traz uma série de fotografias de Uchoa sobre imagens refletidas que foram escolhidas para a exposição, com destaque para as imagens em “looping” instaladas em dois monitores. O encerramento da visitação é no terceiro andar, com uma instalação de Uchoa e Spaniol dentro da Capela e que tem como tema o céu e o inferno" (fonte aqui). Mas vamos visitá-la? Para isto, clique na imagem abaixo e veja o diaporama magnífico do portal da UOL mostrando toda a exposição. E como São Paulo não é a única que aniversaria no dia 25 de janeiro, divido com vocês esta réplica do bolo paulistano que saboreamos no meu aniversário do ano passado no restaurante "Casa da Fazenda" na Paulicéia (mas, vejam bem, é São Paulo que está completando 456 anos e não eu, viu???). Hum, estava uma delícia!
Endereço e horários da exposição : Largo de São Bento s/n Centro São Paulo Estação São Bento do Metrô Visitação Monitorada: das 13:00h às 17:00h de terça a sexta e das 10:00h às 17:00h aos sábados e domingos, até 21 de Fevereiro de 2010, quando se encerra a exposição. ENTRADA FRANCA. Se você for à exposição, não deixe de passar na padaria dos monges na entrada do mosteiro, tem uns pães deliciosos, o meu preferido é "pão São Bento", à base de mandioquinha.Fontes : |
Para saber o passo a passo do trabalho de constituição das imagens e ver os outros planetas panorâmicos que ele criou, visite o Flickr de Alexandre Duret-Lutz aqui. (em inglês).
Fonte : L'Internaute
Nos dois últimos anos falei da FIAC, a feira internacional de arte contemporânea que acontece anualmente em Paris trazendo os artistas modernos e contemporâneos. Não se trata de uma exposição de museu, as galerias que os representam trazem suas obras para serem vendidas, logo o sucesso ou fracasso desta feira funciona como um termômetro do mercado da arte. A do ano passado aconteceu na época do pico da crise econômica, mas dizemque isto não a afetou muito. E a deste ano que aconteceu na semana passada (com 210 galerias e 4200 artistas) e que se encerrou ontem, foi considerada a mais bonita entre todas as feiras de arte moderna e contemporânea que aconteceram recentemente.
Não fui a Paris para vê-la, mas a acompanhei pela imprensa com atenção e a maioria dos comentários sobre ela dizem que foi uma feira "comportada" : nada de loucuras ou provocações, e segundo o jornal L'Express "...os stands apresentam então pouco de vídeo e de instalações intelecto-conceituais mas reservam uma parte importante à fotografia e à pintura, que afirma mais que nunca, sua supremacia. Sinal dos tempos? Poucas obras, seja qual for seu suporte, fazem eco às preocupações políticas ou sociais. A tendência é à abstração, às explorações gráficas, ao onírico ou ainda ao humor. Como se se quisesse absolutamente esquecer a morosidade ambiente..."
Uma grande atração desta FIAC 2009 foi o chamado "Projeto Moderno". Neste, as galerias "peso-pesado" da arte moderna e contemporânea trouxeram obras de qualidade "museal", o que foi um fato inédito para uma feira. Apresentaram Picasso, Léger,Bacon, de Brancusi, Calder, Mondrian, enfim nomes consagrados da arte do século XX.
As fotos do vídeo são de Christine Barbe para o site OUVRETESYEUX.FR
E para quem aprecia a arte moderna e a arte contemporânea, recomendo enfaticamente o site da FIAC, este link AQUI aponta para a página dos artistas, clique nas miniaturas que lá estão para ver as obras, está muito bom!
Descobri a Regina d'Ávila por meio da "Vítima da Quinta" e me apaixonei pelas esculturas que ela faz...percorri seus posts e sua galeria no Flickr várias vezes. O tema central é o amor, tanto aquele entre o homem e a mulher, como o de mãe e filha, passando pelo carinho pelas crianças com uma brincadeira de roda (ela tem também um blog dedicado a elas, o Baú de Brinquedos). Pela força expressiva de seus trabalhos e pelas curvas elegantes e vertiginosas, suas esculturas me trazem uma sensação semelhante à que senti quando vi as obras de Camille Claudel. Mas para conhecê-la melhor, trouxe este texto de sua autoria : Brincadeira de Roda - Regina D'Ávila "Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na freqüência das coisas mais simples. Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano. Como o toque bom do sol quando pousa na pele. A solidão que é encontro. O café da manhã com pão quentinho e manteiga com sonho compartilhado. A lua quando o olhar é grande. A doçura contente de um cafuné sem pressa. O trabalho do artista que nos erotiza. Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados. O poema que parece que fomos nós que escrevemos. A força da areia molhada sob os pés descalços. O sono relaxado que põe tudo pra dormir. A presença a intimidade legítima. A música que nos faz subir e levitar. A delicadeza desenhada de improviso. O cheiro de terra. O cheiro de chuva. O cheiro do tempero do feijão da infância na Fazenda. O cheiro de quem se gosta. O cheirinho do café torrado. O acorde daquela risada que acorda tudo na gente. Essas coisas. Outras coisas. Todas, simples assim. Que são tudo..e nada. Rê. " O Baile - Regina D'Ávila E para vocês terem uma idéia da sensibilidade desta artista, deixei um comentário no seu blog "Minhas Artes" dizendo o quanto havia apreciado suas esculturas. Então ela me respondeu me oferecendo uma de suas obras de presente, vocês acreditam? Aceitei sem hesitar, mas depois fiquei pensando se merecia um presente deste quilate, era maravilhoso demais...mas ela ofereceu com tanto carinho que aceitei me sentindo muito honrada, e posso dizer que esta obra terá um lugar especial na minha casa e no meu coração. No momento que vos escrevo, "O Baile" está a caminho de São Paulo, onde ficará aos cuidados de minha irmã no meu cantinho brasileiro, até que possa ir buscá-lo...parece algo de mágico, você se deslumbra com algo belo e inconscientemente o deseja tanto, que ele "atravessa a tela" e se materializa na sua mão...e desta vez a magia operou graças ao carinho da fada Regina...Merci beaucoup, ma très chère amie!!! E como a Regina mora no Rio de Janeiro, com esta canção aproveito para parabenizá-la, assim como toda a cidade pela obtenção do direito de sediar os JO 2016!!! (para ouvi-la clique no vídeo no canto inferior esquerdo do diaporama...quando este se ampliar vá até a seta no seu canto inferior esquerdo e quando esta se tornar vermelha, clique nela. Para diminuir o tamanho do vídeo, é só clicar nele de novo) Update 08/10/2009 Quando escrevi o post a escultura estava a caminho...agora, vejam só, "O Baile" está em São Paulo...vivement que chegue aqui! |
Em Bordeaux , para enfrentar os quase 40 graus a população teve que se refrescar no espelho d'água da cidade © Pierre ANDRIEU/AFP O verão este ano aqui na Europa está assim : em torno de 35 graus à sombra. Diferente, inesperado, assustador (em 2003 estas temperaturas provocaram a morte de 15000 pessoas idosas), mas incontornável. Então é preciso aproveitar...e foi o que fiz até agora, sempre em boa companhia, recebi a visita de meu sobrinho brasileiro, dos primos alsacianos e com eles passeamos pelas estradas desta França canicular. Mas o verão não foi apenas ganhos...perdi também coisas incríveis que passaram "batido" eu não me perdôo por não ter visto : uma delas foi os balões de Chambley. A cada ano os balões sobem ao céu aqui na Lorena, chegamos mesmo a ir até lá mas por falta de sorte neste dia uma tempestade se aproximava...e os balões não subiram sniff...vejam na foto acima o espetáculo que perdemos... Komposition VIII, 1923 - Kandinsky © Adagp, Paris 2009 Havia também uma exposição imensa, no Centro Pompidou em Paris de um dos meus pintores favoritos, Kandinsky. Ela traçava a história de Kandinsky desde que saiu de seu país natal, a Russia,a evolução de seu trabalho da fase figurativa à fase abstrata...Parece incrível, mas quando "me toquei", a exposição já tinha acabado...eu perdi, mas vocês não vão perder pois deixo aqui os endereços do vídeo e o do percurso da exposição, tudo bem explicadinho...se alguém quiser a tradução é só avisar, tá? Mas o verão ainda não acabou e além do calor, tem muita coisa interessante que está se encerrando neste finalzinho do mês de agosto...e para aproveitá-lo e ter bastante coisa para contar para vocês depois, estarei fora da blogosfera esta semana e o blog não será atualizado neste período...voltarei quando setembro chegar. A bientôt! |
Lance Armstrong é o ciclista que detem o recorde de vitórias na "Volta da França" tendo vencido este "tour" 7 vezes consecutivas (de 1999 a 2005). Em 2009, depois de 3 anos de ausência nesta competição e com 37 anos, alcançou um honroso terceiro lugar. Apesar da polêmica segundo a qual ele teria se dopado em 1999 (estas suspeitas não foram confirmadas), ele continua muito popular em vários paises. No entanto, sua maior vitória foi contra a morte, há alguns anos atrás ele foi vítima de um câncer dos testículos, e conseguiu se recuperar, tendo continuado sua carreira vitoriosa depois disto. Para colaborar no combate a esta doença, ele criou uma fundação chamada Langstrom, com a finalidade de angariar fundos para a pesquisa e dar apoio aos doentes. E com este objetivo, durante a duração da "Volta da França" deste ano, sua fundação, em parceria com a Nike, organizou a exposição STAGES, na galeria Emmanuel Perrotin em Paris trazendo as obras de artistas contemporâneos criadas especialmente para a ocasião. A lista de artistas participantes é impressionante : Cai Guo-Qiang, Rosson Crow, Jules De Balincourt, Dzine, Shepard Foi um tandem "de choque", a arte, o esporte ajudando a ciência a salvar vidas. E de quebra, nos deliciamos com a visão das criações destes artistas contemporâneos...
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Feminilidade - Jean-No
Volto a falar dele porque como todos os anos no verão ele encheu seu jardim e suas salas de esculturas. Desta vez, talvez devido à crise, o número de artistas foi inferior ao dos anos precedentes, mas a qualidade das obras foi mantida. E principalmente, eles trouxeram novamente um dos meus escultores preferidos, Jean-No, que é daqui da região e trabalha o aço, tendo como inspiração principalmente os motivos étnicos africanos, e o resultado é de uma leveza extraordinária. Clique na imagem acima, para passear no jardim do castelo Madame de Graffigny e conhecer as esculturas deste e dos outros artistas graças ao diaporama.
Antes se perguntava qual era a diferença entre pixação e graffiti...eu diria que a pixação era geralmente com palavras, o graffiti passou a imagens com uma beleza estética. Hoje se pergunta qual a diferença entre graffiti e street art...Os especialistas dizem que o primeiro é mais espontâneo, feito com os tubos de spray, rapidamente, geralmente de forma marginal, sem autorizações. A street art seria premeditada, projetada em casa ou nos estúdios antes de ser levada às ruas, as técnicas são mais variadas (com colagens, mosaicos, pochoirs), e cada vez mais os artistas pedem a autorização aos proprietários dos muros ou às prefeituras para realizá-la. De qualquer forma, esta manifestação de arte efêmera já ganhou adeptos, e passou das ruas às galerias e museus...como por exemplo, o Grand Palais de Paris, que apresentou recentemente uma exposição com mais de 300 artistas do mundo todo (vídeo aqui). Todas as grandes cidades tem seus representantes, há algum tempo mostrei uma série de fotos que fizemos do "Beco do Batman" na Vila Madalena em São Paulo...agora é a vez de Paris, pois a Cidade Luz, sempre na vanguarda da arte não poderia deixar de ter seus "grafiteiros"... E a Vi está apresentando uma amostra lindíssima de como os "graffitis" transformaram um bairro em Nova Iorque, não deixem de ir ver. Update (8/8/2009) Ouvindo esta música e este tema que fala do que observamos nas ruas, a Selena nos trouxe as impressões que sua sensibilidade captou nas ruas de São Paulo : "...Hoje passeando pelas ruas aqui de meu bairro, passei por uma feira livre e pensava nos varais do Eduardo..varais que enxergamos com arte e beleza...Varais com réstias de alho e pencas de cebola suspensos numa barraca de sementes dispostas em grandes tonéis de madeira ou acrilico..alguns em cestos menores..tons de terra, vermelho e verdes...noutras barracas latas..vasilhas plásticas e aventais ...pensei em ver peixes pendurados...mas é uma feira comum de rua a feira de sexta da Pompéia...continuei minha caminhada lembrando dos várais que a Jú mandou para o Varal..rindo...e Ouvindo essa música refiz a minha caminhada da Av. Pompéia até a av. Sumaré, observando detalhes que gosto e vendo as reações das pessoas...passei pela rua Diana e fiz questão de passar em frente ao prédio onde morei logo que me casei...alguma coisa Towers...(mania de brasileiro em achar que se for em outro idioma fica mais importante, acho que pode ser mas expliquem o que significa e o pq da escolha rsrsr) há dezessete anos para ser mais exata...depois segui para ver o jornaleiro que cumprimento diariamente de dentro de meu carro, sem nunca ter trocado uma palavra com ele...e nesse momento simpaticamente trocamos acenos com o mesmo respeito. Logo em seguida via uma mulher no quarto ou quinto andar..dependurada na janela a limpar cuidadosamente uma imensa vidraça...não conseguia tirar os olhos dela..pois a janela não tinha grade e ela arriscava-se com tanta segurança que parei para ver a cena...Continuei minha caminhada e ao chegar na av. Sumaré entre muitas observações que fiz..percebi o tanto que tinha caminhado...e quantos varais fotografados.." E a Luma, no seu excelente post "Rádio com Imagens" traz uma descrição sobre a evolução da música pop nas ultimas décadas, com destaque especial para a música que surgiu "nas ruas", independentes dos circuitos tradicionais. E nos comentários ela nos indicou um post sobre a exposição do renomado Bansky no British Museum de Londres. A Vi nos relembra os fantásticos graffitis de nosso amigo blogueiro "Caçador", que podem ser vistos em seu Tattooed City. Vale a pena visitá-lo, assim como os outros blogs do Caçador que ela recomenda, "The Dear Hunter" e "Photomelomanias". Fui ver e gostei muito. Update (10/8/2009) A Elma também nos fala da street art : "Acredito que a maioria dessas pinturas teve com origem nos fundamentos do hip hop, depois aos pichadores de muro e suas gangs que usavam (e usam ainda) esse meio de expressão para demarcar seu território passando a ser conhecidos por suas tags, ou por grupos políticos que usavam esse meio como linguagem para comunicação em massa. Hoje o grafismo se popularizou, se tornando em mais uma nova linguagem de comunicação. Sei de um site onde o grafitti é mostrado com grande qualidade. www.artcrimes.com" E a Sonia nos traz esta dica : "Um dos blogs que é uma referência a respeito é o Wooster Collective, que faz um painel internacional de Street Art." |
Max Ernst no Arizona Max Ernst foi sem dúvida um grande nome da arte no século XX, um visionário, criador de formas de uma imaginação excepcional. Pintor, escultor e desenhista ele participou do movimento dadaista, do surrealismo, e foi evoluindo e fazendo evoluir a arte do século XX, durante sua passagem por vários paises, como a Alemanha, a França, a Itália, e os Estados Unidos. Um dos lados menos conhecidos de seu trabalho (pelo menos para mim) é sua obra gráfica, da qual faz parte seus romances-colagens. Ele realizou três, Uma mulher 100 Cabeças, Sonho de uma Garota que iria entrar para o Carmelo e Uma Semana de Bondade, sendo que este último se encontra em exposição no momento no Museu d'Orsay em Paris (até 13 de setembro). A importância desta mostra é grande, pois é a primeira vez desde 1936 (quando foi exposta na Espanha à beira da guerra civil) que esta obra é exibida publicamente em sua totalidade. Nela, ele traça um retrato sombrio da sociedade de sua época, utilizando pessoas, animais, figuras da mitologia grega, para criar as cenas e imagens que vão compondo seu romance surrealista onde os temas dominantes são o poder, a violência, os assassinatos e as catástrofes. O material utilizado para as colagens ele obteve em jornais, periódicos e livros do século XIX. A técnica de suas colagens é tão perfeita que é dificil de encontrar o limite entre as colagens, embora ele muitas vezes tenha utilizado lápis e tinta para fazer as ligações. Pessoalmente, achei o resultado meio deprimente pelo seu "enredo", mas a obra em si genial pela mistura de técnicas, de universos, e de épocas (o desenho com a colagem, a realidade com a mitologia, e a crítica ao século XX através do material produzido no século XIX). Neste diaporama coloquei algumas das colagens desta "Uma Semana de Bondade"...que de boazinha não tem nada rs,(use as setas para se deslocar entre as páginas)...vale a pena dar uma olhada. Fonte : Musée d'Orsay |
Segundo suas palavras, ela se lançou nesta nova experiência porque "é preciso deixar uma pele para se criar uma outra. É isto que me faz avançar como ser humano". E nesta busca de crescimento ela se tornou também pintora, tendo apresentado recentemente em Paris uma exposição (vídeo abaixo) de mais de cem de suas obras, principalmente retratos relacionados aos personagens que interpreta no cinema, organizados na forma de trípticos : um auto-retrato, um retrato do realizador do filme e um poema que ela dedica a este. Desta forma, ela registra a sua emoção diante dos encontros que o mundo do cinema lhe proporciona. Estas pinturas se encontram compiladas em um livro intitulado "In-Eyes".
Cinema, pintura, dança...qual será o próximo domínio no qual vai se lançar o talento de Juliette Binoche?
Há alguns anos estive num congresso de "Realidade Virtual" na cidade de Laval, aqui na França. Neste fiquei impressionada com os recursos que existiam para reproduzir de forma digital a realidade,recriando artificialmente sensações. Por exemplo, num dos equipamentos podia se reproduzir a sensação de se estar esquiando, simplesmente colocando uns "óculos" que permitiam ver a paisagem nevada e segurando dois "bastões" que substituiam os esquis. Havia também o cinema 3D, no caso vi um filme que mostrava um passeio no mar num barco de pescadores, e a sensação de estar dentro da embarcação era tão perfeita que tínhamos a impressão de sentir as gotas de água nos molhar e as gaivotas voando sobre nossas cabeças. "Uma vida nasceu" de Jaeck Yerka (2001) Mas existe também a arte digital e um de seus aspectos é a pintura digital. Como sempre estive curiosa para saber se um artista pode expressar sua sensibilidade utilizando somente o mouse, o teclado e os programas de tratamento de imagens, achei muito interessante observar as obras apresentadas no concurso da NVArt, no qual as obras concorrentes se inspiraram no trabalho do artista surrealista Jaeck Yerka. Observem e verifiquem se a produção digital proporciona as mesmas emoções que a tradicional.(utilizem as setas para virar as páginas). |
Como prometido trago as fotos do trabalho do Timothy Martin, mas desta vez tendo como tema os móveis...que ele pinta adaptando as formas naturais das flores. Na primeira parte comentei que ele era considerado como o "Archimboldo das Flores". No entanto quando vejo as estruturas da natureza compondo suas cadeiras, não posso deixar de pensar na art nouveau que também a tinha como tema e nos incríveis vasos de Emille Gallé, o botanista que reproduziu no vidro e no cristal as flores e as plantas (diaporama aqui), assim como nas maravilhosas jóias de Lalique, com sua mulher libélula ou os pássaros cantores (diaporama aqui). E mais ainda nos móveis de Majorelle, como a mesa "orquídea"...Este paralelo é meio inusitado, o estilo não é comparável mas o princípio poderia sê-lo. Mas depois destes meus delírios, apreciem os quadros de Timothy Martin... |
Le Miracle Familier - Xavier Boussiron et A. Labelle-Rojoux
Na semana passada foi inaugurada em Paris a exposição trienal "La Force de l'Art 02", patrocinada pelo Ministério da Cultura e da Comunicação. Dela participam artistas franceses ou estrangeiros que vivem na França e se constitui num termômetro do que é feito em termos de arte contemporânea por aqui. Ela está acontecendo em vários pontos de Paris, como a Torre Eiffel, o Museu Grévin, a igreja Santo Eustáquio, o Palais de la Découverte e o Museu do Louvre, mas a mostra mais importante está no Grand Palais. Neste, numa arquitetura de Philippe Rahm mostrando uma "Geologia Branca" simulando placas tectônicas moduláveis segundo o tamanho de cada obra, jovens artistas (residentes) e artistas já confirmados (visitantes) expõem obras para todos os gostos.
Por exemplo, como obra monumental tem-se o International Kebab de Wang Du (acima), que é uma gigantesca torre de papel com 9m de altura sob a forma de kebab, da qual os expectadores são convidados a cortar um pedaço com uma faca que é colocada à sua disposição. Nas folhas que são fixadas em torno de um eixo giratório estão impressas imagens da vida cotidiana dos chineses, cujo país segundo o artista se tornou um imenso fast food.
Outras obras impressionantes são a de Anita Molinero, na qual enormes latas de lixo de PVC fundidas "caem" do teto, numa visão apocalíptica (foto acima), para, segundo ela, "queimar simbolicamente o objeto industrial e sua matéria artificial"...ou o POF Shop (POF= protótipo de objeto em funcionamento) de Fabrice Hyber no qual objetos familiares encontram uma utilização diferente da usual com a finalidade de criar novos comportamentos (foto abaixo), como o POF n° 65, que é uma bola cúbica. O público é convidado a experimentar estes objetos.
Mas sabe que você pode entrar na exposição e interagir com ela sem sair da frente de teu computador? Isto é possível porque a cada dia uma obra virtual é colocada em linha. Ontem brinquei um pouco com a obra Upstream de Isabelle Grosse. É como um vídeo game, retângulos vazios aparecem na tela e você deve clicar para fazê-los desaparecer até alcançar um certo score. No final o significado é mostrado: aqueles retângulos simulam os movimentos de uma multidão e as pessoas aparecem no lugar dos retângulos...e teus clics também...representados por grandes manchas vermelhas, parecem sangue...imaginem o choque, parece que você as matou! Acho que a moral da história é que não se deve clicar sem saber aonde... Se você quiser experimentar esta ou outras obras virtuais, a lista delas está aqui.
Vendo estas obras espetaculares, que parecem que possuem mais a intenção de chocar que de ser belas, fico pensando o que devemos julgar na arte contemporânea : a estética, a idéia, a mensagem, o impacto sobre o expectador? Em todo caso, acho que ainda preciso de algumas aulas para decifrá-la...
E então, vamos entrar na exposição e visitá-la?
Update 29/04/2009
Agradeço ao Eduardo por ter divulgado este post no seu maravilhoso "Varal de Idéias", fiquei muito honrada!

