8.5.10 | Autor: Maria Augusta

Aqui na Europa a semana foi assim : falou-se da crise grega que ameaça contagiar outros paises e que fez a taxa de câmbio do euro despencar nas cotações...falou-se de novo no vulcão islandês que continua a expelir cinzas que continuam a fechar o espaço aéreo que elas atravessam. Comentou-se bastante também sobre os problemas do outro lado do Atlântico como a maré de petróleo que ameaça as costas americanas ou do outro lado do canal da Mancha, como as eleições na Inglaterra. Um item mais ameno da atualidade foi o eco da abertura da exposição universal de Xangai que ocorreu na semana passada na China e do sucesso da "operação charme" lançada pelos franceses para reconquistar este país. Sim, porque depois de vaiar a chama olímpica em sua passagem por Paris e de receber o dalai lama, a imagem da França estava meio desbotada no Império do Meio...e como todos sabem que comerciar com a China hoje em dia é imprencidível para qualquer país, era preciso "redourar a pílula".

E para isto não foram poupados esforços para a construção do pavilhão francês para a exposição de Xangai. O arquiteto vencedor do concurso realizado para sua concepção foi Jacques Ferrier, com o projeto intitulado " A cidade sensual" pois segundo os criadores a exposição fará com que os visitantes experimentem os "sete sentidos", ou seja, além dos cinco normais que são a a visão, a audição, o olfato, o toque, o sabor, foram incluidos também o equilíbrio e o movimento, critérios muito valorizados pelos chineses. E estes sentidos seriam sensibilizados por meio dos produtos franceses expostos : gastronomia, perfumes, etc., além do "alimento para o intelecto" que não é negligenciável : o museu d'Orsay emprestou 6 obras (5 pinturas e uma escultura) : «l’Angélus» de Millet, «le Balcon» de Manet, «la Salle de danse à Arles» de Van Gogh, a «Femme à la cafetière» de Cézanne, «la Loge» de Bonnard, «le Repas» (também chamado «Les bananes») de Gauguin et «l’Age d’Airain» de Rodin.

Tendo em mente os critérios do desenvolvimento sustentável o arquiteto propôs um quadrilátero de 6000 m2 cuja estrutura é uma mantilha feita com um concreto muito leve que "flutua" sobre um espelho d'água. Em seu centro foram colocados "jardins à la francesa", mas suspensos e na posição vertical, lembrando um circuito impresso informático, no espírito de ligar a tradição à modernidade. O pavilhão composto de 3 andares contem um auditório, 2 restaurantes gastronômicos, sendo um deles é o 6Sens dos chefs estrelados Jacques & Laurent Pourcel, cujos pratos trazem as cores, odores e sabores da cozinha do Mediterrâneo. O custo total deste pavilhão foi de 50 milhões de euros, sendo que o financiamento foi 50% dos cofres públicos franceses e 50% pago pelas empresas. A inauguração contou com a presença do presidente francês e de sua esposa Carla (cuja presença foi muito apreciada, a fanfarra chinesa até tocou 2 músicas dela) e também de Alain Delon (que é adorado na China), padrinho do pavilhão.

Mas o que achei mais interessante é que durante toda a duração da exposição os casais que desejarem podem realizar um "casamento romântico" no pavilhão França, concorrendo assim a uma viagem de lua de mel em Paris. Pas mal, n'est-ce pas?


Veja alguns pavilhões de outros paises na Exposição Universal de Xangai aqui .



9.2.10 | Autor: Maria Augusta

A aproximação do "Dia dos Namorados" daqui me fez lembrar desta foto. Quem não a conhece, não é mesmo? Trata-se dos "O beijo da Prefeitura", feita por Robert Doisneau em 1950. Muito do nosso imaginário sobre Paris, seus habitantes e suas ruas vem das imagens deste fotógrafo, pois este "pescador de imagens", como ele se definia, era considerado um fotógrafo da escola humanista, tendo realizado durante 50 anos milhares de retratos das pessoas simples de Paris e seus arredores...artesãos, operários, namorados, mendigos, meninos de rua, todos foram alvo de sua máquina fotográfica. Ele sabia espreitar o bom momento para captar os instantes que sugeriam o humor, a ironia, a nostalgia, a ternura. Ganhou muitos prêmios e publicou mais de trinta albuns, e neste momento em Paris, está acontecendo uma exposição chamada "Du métier à l'oeuvre", retraçando a evolução de seu trabalho de 1930 a 1966. Veja alguns dos clichês nela apresentados no diaporama abaixo, USE O FULLSCREEN, vale a pena (fonte aqui) :


Site da exposição aqui
Outra fonte : "Robert Doisneau, le pecheur d'images"
25.1.10 | Autor: Maria Augusta

Mosteiro de São Bento, tratamento numérico feito por mim a partir de uma foto tirada no mirante do Banespa (2009)

Hoje São Paulo, a gigante, está completando 456 anos...velha ou moça, depende do referencial, não é mesmo? Mas apesar de toda a sua idade ela ainda guarda alguns mistérios, lugares secretos onde o comum dos mortais não tem acesso, embora possa imaginá-los a partir da beleza ou da imponência exterior. Um deles é o interior do Mosteiro do São Bento, que vai abrir excepcionalmente para este aniversário, para apresentar uma exposição de arte contemporânea chamada "Arte e Espiritualidade".

Este prédio foi construido entre 1910 e 1914, no entanto a ordem religiosa que lhe deu origem está neste local desde 1600. Nele, que abriga 42 monges, já funcionou um cineclube que costumava passar filmes de Ingmar Bergman e um teatro que revelou Sérgio Cardoso, mas estava fechado ao público desde os anos 1960. Para esta exposição serão abertas as salas do colégio e da faculdade, o parlatório do mosteiro e a capela do colégio, que foi reformada para a visita do papa Bento XVI a São Paulo. Nesta podem ser vistos belos vitrais e afrescos do pintor austríiaco Thomas Scheuchl. O claustro (jardim interno que os monges usam para meditar) permanecerá fechado mas poderá ser percebido a partir das janelas de uma das salas de exposição.

A mostra "Arte e Espiritualidade" traz pinturas, fotografias e instalações contemporâneas que investigam o papel da espiritualidade no mundo moderno e são da autoria de Carlos Eduardo Uchôa, José Spaniol e Marco Giannotti. "No primeiro piso da exposição, José Spaniol apresenta obras da série balanças e lousas nas salas do Parlatório do Mosteiro. Para o teatro, Spaniol e Giannotti criaram uma vídeoinstalação sobre o tempo. Nas salas subseqüentes, os artistas Marco Giannotti e Carlos Eduardo Uchôa apresentam pinturas de grande escala e duas interpretações distintas sobre a via Crucis em 14 estações. O segundo andar traz uma série de fotografias de Uchoa sobre imagens refletidas que foram escolhidas para a exposição, com destaque para as imagens em “looping” instaladas em dois monitores. O encerramento da visitação é no terceiro andar, com uma instalação de Uchoa e Spaniol dentro da Capela e que tem como tema o céu e o inferno" (fonte aqui). Mas vamos visitá-la? Para isto, clique na imagem abaixo e veja o diaporama magnífico do portal da UOL mostrando toda a exposição.

E como São Paulo não é a única que aniversaria no dia 25 de janeiro, divido com vocês esta réplica do bolo paulistano que saboreamos no meu aniversário do ano passado no restaurante "Casa da Fazenda" na Paulicéia (mas, vejam bem, é São Paulo que está completando 456 anos e não eu, viu???). Hum, estava uma delícia!




Endereço e horários da exposição :

Largo de São Bento s/n Centro São Paulo

Estação São Bento do Metrô

Visitação Monitorada: das 13:00h às 17:00h de terça a sexta e das 10:00h às 17:00h aos sábados e domingos, até 21 de Fevereiro de 2010, quando se encerra a exposição. ENTRADA FRANCA.

Se você for à exposição, não deixe de passar na padaria dos monges na entrada do mosteiro, tem uns pães deliciosos, o meu preferido é "pão São Bento", à base de mandioquinha.

Fontes :
Portal UOL
Globo News (vídeo da exposição aqui)
Site do mosteiro




22.9.09 | Autor: Maria Augusta

Não sei se já aconteceu com vocês, mas algumas vezes quando chego diante de uma tela de um grande mestre que já vi em fotografia não sinto o impacto que esperava, não digo que fico decepcionada, o trabalho e a técnica do mestre estão ali, mas não consigo "entrar em sintonia", acho que me falta alguma coisa, uma corda na minha sensibilidade. Por outro lado às vezes me acontece o contrário o impacto é muito maior que o esperado...isto me ocorreu com as telas de Monet e dos impressionistas em geral. E foi fortíssimo quando vi há alguns dias a exposição de van Gogh no Kurnsmuseum de Basiléia...elas me arrepiaram, achei tão lindo que poderia passar horas ali a apreciá-las. O título da exposição é "Entre terra e céu - As Paisagens" e nela foram trazidos de vários museus do mundo 70 quadros (alguns pouco conhecidos do público), traçando as etapas da produção artística de van Gogh e os ciclos da natureza que ele retratou em suas paisagens.

Campos de flores na Holanda -abril 1883, óleo sobre tela 48,9cm x 66 cm

Filho de um pastor protestante, van Gogh nasceu em 1853 na Holanda. Antes de se tornar pintor, ele tentou outras profissões como o comércio de quadros e mesmo como pregador religioso. Graças ao apoio de seu irmão Theo, ele abraçou a vida artística aos 27 anos e depois de passar por Bruxelles e Antuérpia na Bélgica, ele foi trabalhar em Paris, onde conviveu com Monet, Pissarro, Sisley, Degas, Signac, Seurat, que influenciaram fortemente seu estilo, principalmente em relação às paisagens (até o advento dos impressionistas, o que dava prestígio a um pintor eram os retratos, a pintura das paisagens era tida como uma atividade marginal) e à utilização de cores mais luminosas em relação às cores "terrosas" que empregava até então.

Cercado de jardim - julho 1888, óleo sobre tela 73cm x 92cm

Ele partiu em seguida para o sul da França, à cidade de Arles, na região do Midi, mais quente e ensolarada. Seu projeto era nela criar uma colônia de artistas, mas o único que aderiu ao projeto foi Gauguin...no entanto a convivência entre os dois foi tumultuada, culminando com o episódio no qual van Gogh se cortou um parte de sua orelha. Sua tendência depressiva se acentuou nesta época e, ele se internou em uma clínica em Saint-Rémy, onde prosseguiu sua atividade artística. Foi então que começou a aparecer em sua obra aquelas formas onduladas, retorcidas e fortemente carregadas de expressão.

Os Ciprestes - julho 1889, óleo sobre tela 93.3cm x 74cm

Com a piora de suas crises, a conselho de seu irmão Théo, van Gogh começa a ser tratado pelo dr. Gachet em Auvers (a 30 km de Paris), com o qual ele cria laços de amizade. Nesta época ele pintou uma série de telas retratando a paisagem das redondezas. Mas seu estado psicológico se deteriorou e ele acabou atirando contra si mesmo, e morrendo em consequência de seus ferimentos, aos 37 anos...justamente quando a grandiosidade sua obra começava a ser reconhecida...

Coloquei aqui no Picasa algumas fotos de suas telas na exposição, que estão em alta resolução, logo não hesite a usar o F11 para ver na tela inteira (para voltar ao tamanho normal use também o F11). Vale a pena! E o vídeo abaixo apresenta a música chamada "Vincent" de Don MacLean, que é um tributo à vida e à obra de van Gogh.




Site oficial da exposition (fonte das fotos)


Update 21/09/2009

A Laura, do
Caminhar está postando hoje (aqui) um vídeo que mostra as paisagens primaveris de van Gogh ao som da "Primavera" de Vivaldi. Muito lindo!

8.9.09 | Autor: Maria Augusta

A Lorraine, aqui na França, é uma região do "interior", e Nancy, cidade onde moro fica a aproximadamente 300 Km de Paris...mas embora não seja tão badalada quanto a Capital, ou as regiões do sul como a Côte d'Azur aqui também acontecem coisas interessantes. E uma delas começou a acontecer há mais de 100 anos (na época a cidade recebeu um grande afluxo de capitais dos vizinhos alsacianos ricos que fugiram do dominio alemão, que por ter vencido a guerra de 1870 anexaram a Alsácia e boa parte da Lorraine) e foi a art nouveau, movimento do qual Nancy foi um berço aqui na França. Pessoalmente o que aprecio na art nouveau é que ela estendeu a palavra "arte", que antes era aplicada somente à pintura, escultura e arquitetura aos objetos do cotidiano, como os vasos, os vitrais, os móveis, as jóias, criando o que chamamos hoje de "artes decorativas"...sem falar nos temas trazidos da natureza, como os pássaros, as flores e plantas em geral, a mulher, o mar. E neste verão a região relembrou a "art nouveau" trazendo várias exposições, sendo que a mais interessante foi a de Emile Gallé, na cidade de Vic sur Seille.

Vaso de Emile Gallé tendo como tema a orquídea

Emile Gallé foi um dos maiores expoentes da art nouveau, com seus móveis de marqueteria, suas cerâmicas e principalmente seus vasos de vidro e cristal cheios de simbolismos. Sim, porque além da parte artística, muitos de seus vasos traziam mensagens políticas e patrióticas...por exemplo, a libélula que aparece em seus vasos significa o luto pelas províncias anexadas pelos alemães; a "cruz de Lorena" com a "flor de lys" símbolo da França evocando Joana d'Arc; o "Dragão contra Pelicano" que foi dedicado aos patriotas irlandeses em luta contra a Inglaterra; o vaso "Os Homens Negros", onde a cor faz referência à consciência dos acusadores no caso de anti-semitismo envolvendo Dreyfus.

Vaso "Dragão contra Pelicano" de Emile Gallé

Uma das influências mais importantes na sua obra foi a arte japonesa, da qual ele apreciava o modo como ela representava a natureza (ele também era botânico), e este foi o foco da exposição de Vic sur Seille, da qual trago algumas obras no diaporama abaixo, com seus vasos e cerâmicas mostrando orquídeas, crisântemos, magnólias, libélulas, mariposas, morcegos, peixes, enfim as faunas e as floras terrestre e marítimas...espero que gostem.










Veja também :

Vídeo da exposição


24.8.09 | Autor: Maria Augusta

Em Bordeaux , para enfrentar os quase 40 graus a população teve que se refrescar no espelho d'água da cidade

© Pierre ANDRIEU/AFP

O verão este ano aqui na Europa está assim : em torno de 35 graus à sombra. Diferente, inesperado, assustador (em 2003 estas temperaturas provocaram a morte de 15000 pessoas idosas), mas incontornável. Então é preciso aproveitar...e foi o que fiz até agora, sempre em boa companhia, recebi a visita de meu sobrinho brasileiro, dos primos alsacianos e com eles passeamos pelas estradas desta França canicular.

Mas o verão não foi apenas ganhos...perdi também coisas incríveis que passaram "batido" eu não me perdôo por não ter visto : uma delas foi os balões de Chambley. A cada ano os balões sobem ao céu aqui na Lorena, chegamos mesmo a ir até lá mas por falta de sorte neste dia uma tempestade se aproximava...e os balões não subiram sniff...vejam na foto acima o espetáculo que perdemos...

Komposition VIII, 1923 - Kandinsky

© Adagp, Paris 2009

Havia também uma exposição imensa, no Centro Pompidou em Paris de um dos meus pintores favoritos, Kandinsky. Ela traçava a história de Kandinsky desde que saiu de seu país natal, a Russia,a evolução de seu trabalho da fase figurativa à fase abstrata...Parece incrível, mas quando "me toquei", a exposição já tinha acabado...eu perdi, mas vocês não vão perder pois deixo aqui os endereços do vídeo e o do percurso da exposição, tudo bem explicadinho...se alguém quiser a tradução é só avisar, tá?

Mas o verão ainda não acabou e além do calor, tem muita coisa interessante que está se encerrando neste finalzinho do mês de agosto...e para aproveitá-lo e ter bastante coisa para contar para vocês depois, estarei fora da blogosfera esta semana e o blog não será atualizado neste período...voltarei quando setembro chegar. A bientôt!


20.8.09 | Autor: Maria Augusta

Lance Armstrong é o ciclista que detem o recorde de vitórias na "Volta da França" tendo vencido este "tour" 7 vezes consecutivas (de 1999 a 2005). Em 2009, depois de 3 anos de ausência nesta competição e com 37 anos, alcançou um honroso terceiro lugar. Apesar da polêmica segundo a qual ele teria se dopado em 1999 (estas suspeitas não foram confirmadas), ele continua muito popular em vários paises. No entanto, sua maior vitória foi contra a morte, há alguns anos atrás ele foi vítima de um câncer dos testículos, e conseguiu se recuperar, tendo continuado sua carreira vitoriosa depois disto. Para colaborar no combate a esta doença, ele criou uma fundação chamada Langstrom, com a finalidade de angariar fundos para a pesquisa e dar apoio aos doentes. E com este objetivo, durante a duração da "Volta da França" deste ano, sua fundação, em parceria com a Nike, organizou a exposição STAGES, na galeria Emmanuel Perrotin em Paris trazendo as obras de artistas contemporâneos criadas especialmente para a ocasião. A lista de artistas participantes é impressionante :

Cai Guo-Qiang, Rosson Crow, Jules De Balincourt, Dzine, Shepard
Fairey, Andreas Gursky, KAWS, Geoff McFetridge,Yoshitomo Nara, Catherine
Opie, José Parlá, Raymond Pettibon, Lari Pittman, Richard Prince, Ed Ruscha,
Tom Sachs, Kenny Scharf, Eric White, Christopher Wool, JR, Aaron Young.

Foi um tandem "de choque", a arte, o esporte ajudando a ciência a salvar vidas. E de quebra, nos deliciamos com a visão das criações destes artistas contemporâneos...



Site da exposição

Site da Fundação Livestrong

11.8.09 | Autor: Maria Augusta

Este é um "castelos do meu caminho", fica na cidade vizinha de Villers les Nancy, já escrevi sobre ele e sua cidade no Jardin Ephemère : Esta cidade, satélite de Nancy também tem seu "village", o bairro antigo e charmoso, com suas ladeiras, sua igrejinha e seu lavoir. E tem também um castelinho com um belíssimo parque, chamado Madame de Graffigny. Ele foi rebatizado assim no Dia Internacional da Mulher em 2003, em homenagem a esta mulher que viveu no século das Luzes, autora das “Cartas de uma Peruana”, e que teve a audácia de abandonar um marido violento e existir por ela mesma, o que era uma proeza para a época. O castelinho atualmente pertence à municipalidade, que nele organiza reuniões e exposições, como é o caso desta em cartaz atualmente.

Feminilidade - Jean-No

Volto a falar dele porque como todos os anos no verão ele encheu seu jardim e suas salas de esculturas. Desta vez, talvez devido à crise, o número de artistas foi inferior ao dos anos precedentes, mas a qualidade das obras foi mantida. E principalmente, eles trouxeram novamente um dos meus escultores preferidos, Jean-No, que é daqui da região e trabalha o aço, tendo como inspiração principalmente os motivos étnicos africanos, e o resultado é de uma leveza extraordinária. Clique na imagem acima, para passear no jardim do castelo Madame de Graffigny e conhecer as esculturas deste e dos outros artistas graças ao diaporama.

13.7.09 | Autor: Maria Augusta

Max Ernst no Arizona

Max Ernst foi sem dúvida um grande nome da arte no século XX, um visionário, criador de formas de uma imaginação excepcional. Pintor, escultor e desenhista ele participou do movimento dadaista, do surrealismo, e foi evoluindo e fazendo evoluir a arte do século XX, durante sua passagem por vários paises, como a Alemanha, a França, a Itália, e os Estados Unidos.

Um dos lados menos conhecidos de seu trabalho (pelo menos para mim) é sua obra gráfica, da qual faz parte seus romances-colagens. Ele realizou três, Uma mulher 100 Cabeças, Sonho de uma Garota que iria entrar para o Carmelo e Uma Semana de Bondade, sendo que este último se encontra em exposição no momento no Museu d'Orsay em Paris (até 13 de setembro). A importância desta mostra é grande, pois é a primeira vez desde 1936 (quando foi exposta na Espanha à beira da guerra civil) que esta obra é exibida publicamente em sua totalidade.

ernst

Nela, ele traça um retrato sombrio da sociedade de sua época, utilizando pessoas, animais, figuras da mitologia grega, para criar as cenas e imagens que vão compondo seu romance surrealista onde os temas dominantes são o poder, a violência, os assassinatos e as catástrofes. O material utilizado para as colagens ele obteve em jornais, periódicos e livros do século XIX. A técnica de suas colagens é tão perfeita que é dificil de encontrar o limite entre as colagens, embora ele muitas vezes tenha utilizado lápis e tinta para fazer as ligações.

Pessoalmente, achei o resultado meio deprimente pelo seu "enredo", mas a obra em si genial pela mistura de técnicas, de universos, e de épocas (o desenho com a colagem, a realidade com a mitologia, e a crítica ao século XX através do material produzido no século XIX). Neste diaporama coloquei algumas das colagens desta "Uma Semana de Bondade"...que de boazinha não tem nada rs,(use as setas para se deslocar entre as páginas)...vale a pena dar uma olhada.

Fonte : Musée d'Orsay

6.7.09 | Autor: Maria Augusta

A região onde moro, a Lorraine, é famosa por seus cristais e pelos artistas que com ele trabalham, nela temos as cristalerias Baccarat, Daum, Saint-Louis...e aqui viveu Emile Gallé...A Abadia dos Premontrés,na cidade de Pont-à-Mousson aqui perto de Nancy, tem a tradição de apresentar a cada verão uma exposição tendo como tema este material. Há 2 anos foi o "Jardim de Cristal", no ano passado foram os pesos para papel de cristal e neste ano eles associaram o cristal ao perfume e realizaram uma mostra com um duplo enfoque : Os "Perfumes de Cristal" e o "Jardim dos Aromas".

(para ver a legenda da foto passe o mouse sobre a imagem sem clicar)









Para realizá-la, nos magníficos salões e corredores da Abadia eles trouxeram mais de 450 frascos de perfume e frascos para perfume, traçando a história dos grandes nomes da perfumaria do século XIX até hoje, e sua associação com os artistas do cristal, tais como Baccarat e Lalique, da qual nasceram frascos maravilhosos. Eles não esqueceram também do centenário da Feira Internacional de Nancy de 1909, incluindo obras de Emile Gallé, Majorelle, Daum e Lalique criadas na época art-nouveau. Como sou colecionadora de frascos de perfume (em miniatura) e apreciadora de tudo que é transparente como o vidro e o cristal, fiquei extasiada com esta exposição.

Mas o mais original estava no exterior da abadia, o "Jardim dos Aromas"...nele eles trouxeram mais de 6000 tipos de plantas que entram na composição dos perfumes : rosas, lavanda, flor de lys, jasmins, além de ervas aromáticas e agrumes. As plantas compunham uma cenografia projetada pelo paisagista Marc Lechien, na qual em torno de uma fonte central (que continha uma escultura em massa de cristal de Daum e exalava uma bruma) se distribuiam 4 canteiros nos quais se podia ver os frascos de perfume no meio dos vegetais dos quais foram extraidos seus aromas...Havia também 3 alambiques lembrando o tratamento que transforma as plantas em perfumes e 4 ifs(árvores) dentro de um envelope de "vime" lembrando os cuidados durante o transporte dos frascos. E o melhor, cada canto do jardim exalava um perfume diferente : rosa, tuberosa, jasmin e Ylang-Ylang. Além de bonito, o jardim era perfumado de verdade!

Tirei muitas fotos (pena que os odores não podem ser fotografados...) e coloquei em um diaporama no Picasa, pois este jardim merece ser visto em tamanho grande. Para entrar nele, basta clicar na foto abaixo...garanto que vale a pena...


Lembrete :

Hoje (dia 6 de julho, segunda feira) estou respondendo as "51 Perguntas para um Blogger" no "Pensieri e Parole" da Meire.

22.6.09 | Autor: Maria Augusta
Entrar em uma biblioteca e imaginar todo o saber que está encerrado naqueles volumes, é quase um ato religioso, não é mesmo? Apesar de que atualmente todo o conteudo dos livros está migrando para suportes eletrônicos (o que é bom pois terão uma acessibilidade mais ampla), ainda acho que um belo compêndio com uma capa bem trabalhada tem um charme enorme...Principalmente aqueles bem antigos, que atravessaram séculos para nos trazer sua mensagem (será que os suportes eletrônicos também vão durar tanto tempo?) Um dia ainda vou pesquisar sobre a Biblioteca de Alexandria, que foi queimada por Julio César e sobre o que ela continha...Mas o assunto de hoje não é o conteudo, mas a embalagem, pois em muitos casos estes templos do saber se encontram instalados em prédios magníficos, com uma decoração suntuosa. Alguns deles foram fotografados por Ahmet Ertug, e o resultado se encontra em exposição na Biblioteca Nacional da França, em Paris. Então, psssiu, silêncio, vamos entrar nas bibliotecas...



Update (23/06/2009)

A querida Sonia, a quem agradeço, nos trouxe uma informação preciosa em seu comentário :

"Voltei Maria Augusta, para passar um link para você - já que o tema hoje é livros - da entrevista com José Mindlin, e seu conjunto primoroso de 30.000 livros raros. As fotos foram tiradas pelo meu cunhado, Cristiano Mascaro. Link AQUI"

O artigo é muito interessante, recomendo sua leitura e dele trouxe estes fotos da biblioteca de José Mindlin :

Photobucket
Fotos de Cristiano Mascaro


Ela também nos dá uma dica de leitura, a respeito de um dos assuntos abordados neste post :

"Li um livro bem interessante, chamado A Biblioteca Desaparecida, Histórias da Biblioteca de Alexandria, de autoria do italiano Luciano Canfora."


Update 2 (24/06/2009)


Também sobre o acervo de José Mindlin veja o excelente post do Kovacs "No Mundo dos Livros - José Mindlin."

Update 3 (24/06/2009)

O Entremares deixou nos comentários este magnífico conto sobre o sentimento que as bibliotecas despertam :

"Existe algum local mais tranquilo que uma biblioteca ?
Bem… se excluirmos as igrejas vazias ou os mosteiros abandonados, é claro.
Pois… não, claro que não existe.
Apesar de que, naquele belo sábado de manhã, a excepção iria confirmar a regra de que as bibliotecas são locais silenciosos, de estudo e – porque não? – até inspiração. E isto tudo porque um filho da terra, o conhecidíssimo autor de romances históricos Luís Vilas Novas iria ali lançar a sua última obra, com direito a sessão de autógrafos, palestra e cocktail promovido pela sociedade portuguesa de autores. Enfim, uma cerimónia a que a pequena vila do Alandroal, escondida no Alentejo seco e quente de Agosto, não estava propriamente habituada.
Agosto, no Alentejo sempre foi sinónimo de três coisas; Calor – sempre muito… e muito seco, céu azul vivo - daquele tom que fere a vista de luz, reflectido na cal das paredes - e finalmente… as ruas desertas, na sagrada interrupção da sesta.
O Alandroal podia passar despercebido no anonimato das urbes turísticas, sem monumentos de primeira grandeza ou eventos de abrangência nacional. Mas, naquele sábado de Maio de 2009, um ilustre filho da terra decidira regressar a casa e honrar as suas origens, através daquele pequeno gesto simbólico – lançar um livro.
Luís Vilas Novas, o autor, era uma daqueles característicos contadores de histórias, como tantos outros alentejanos, que havia trocado as tertúlias de café e os jogos de dominó pelas artes da escrita, enveredando por uma carreira de sucesso que já contava com mais de doze títulos, versando os romances históricos – a sua área predilecta.
“ A cruzada secreta “ era precisamente o seu último romance; uma história de aventura e mistério, retratando a odisseia de três cavaleiros cruzados, numa missão secreta a pedido de Roma, para tentar sequestrar Saladino, o todo-poderoso sultão do Egipto, nas vésperas da queda de Jerusalém.
A biblioteca da vila, apesar de pequena, continuava acolhedora, como ele ainda recordava. Ainda pouco passava das dez da manhã quando o escritor voltou a percorrer o corredor branco, o pórtico de pedra que separava a recepção dos arquivos, rumo ao salão de leitura. A cerimónia só teria inicio ao meio-dia e isso dava-lhe tempo suficiente para poder, tranquilamente… matar saudades.
O salão de leitura não mudara nada, ao longo de todos aqueles anos – as mesmas estantes de madeira, com portas de vidro, a escada ao fundo para aceder ao arquivo antigo, propositadamente dissimulado nas estantes mais altas, as mesmas mesas de carvalho escuro, já com evidentes sinais da passagem dos anos… mas mesmo assim, ainda sedutoras.
Os olhos fixaram-se numa mesa em especial, junto de uma das janelas. Aquele era o “seu” lugar, o seu recanto de estimação – ali vivera as primeiras aventuras, saboreando as páginas com sabor a piratas, a contrabandistas, a heróis da revolução, a romances de cavalaria, a aventuras no espaço…

- O senhor doutor está matando saudades?

Voltou-se, sobressaltado. Aquela voz…

- Dona Palmira ? … É mesmo a senhora ?

Abraçaram-se efusivamente.

A biblioteca não seria a mesma … sem a dona Palmira, a eterna funcionária que ainda agora, já com a velhice bem estampada no rosto, resistia ao avançar dos anos e aparentemente, ainda tomava conta dos destinos de todos aqueles livros.

- O senhor doutor veio confirmar se já está tudo pronto ? – quis saber, o mesmo sorriso meigo que ele ainda recordava.


- Oh, dona Palmira, por favor… não me chame isso, que até me sinto mal… para si, eu serei sempre o Luís… só Luís. Deixe lá o doutor dentro da gaveta, por favor…


Ela aquiesceu, agradecida.


- Saudades ? – e ao mesmo tempo, ia apontando para a mesa onde o escritor estivera sentado e de onde se levantara em sobressalto.

Ele acenou em silêncio, numa concordância que dispensava palavras.

Por momentos, assim permaneceram, os olhares perdidos em tempos passados, recordando as colecções de instantes que, sem o percebermos, vão moldando a maneira como vemos as coisas…

- Tenho uma surpresa para si… - lá avançou a dona Palmira, após um longo silêncio – e queria dar-lha antes… de começar toda a confusão da cerimónia…

- Uma surpresa ? Ora essa…

Ela afastou-se, dirigindo-se até à mesa cinzenta metálica, onde ainda guardava as fichas de cartão com a identificação dos livros, dos armários, das prateleiras. É claro que também ali existia o computador e que – um pouco a custo, é certo – lá aprendera a trabalhar com o programa que geria a biblioteca. Mas não havia computador que substituísse o prazer de manusear com as mãos as pequenas cartolinas, com a sua letrinha cuidada e miudinha, a fazer lembrar a escola primária.

Abriu uma das gavetas e de lá retirou um pequeno embrulho, com um laço dourado.

- Oh, dona Palmira… então para que se deu a este trabalho ? Então…

Ela franziu os olhos, num olhar cúmplice.

- Vá… eu sei que gosta de presentes… e desta vez, não são chocolates…

Foi a vez dele recordar, com um sorriso nos lábios, os chocolates.

A dona Palmira sempre guardara, naqueles tempos longínquos, uma caixa de chocolates dentro da gaveta. Certo dia, ele vira-a a desembrulhar o doce e atrevera-se:

- Não me dá um chocolate desses ?

Mas ela não dera. Ao invés disso, lançara-lhe aquele olhar que ele tão bem conhecia e resmungara:

- Dou… mas só se souberes o nome do autor deste livro que estou aqui a ler…

Ele bem que tentou, espreitou, pôs-se a adivinhar… mas nada.

Baixou a cabeça, derrotado – Não sei…

Ela sorriu, matreira.

- Então é bom que tentes descobrir, meu malandro… ou então, nem te atrevas a voltar a pedir-me os meus maravilhosos chocolates…

Quanto tempo se passara? Trinta e muitos anos…
Emocionado, abriu o laço dourado e retirou o papel de embrulho. No seu interior, dois objectos.

Não conseguiu evitar o aperto da garganta, enquanto voltava a contemplar aquela letra torta – a sua – da requisição nº 3256, de 14 de Agosto de 1971, que segurava nas mãos. Por baixo, uma cópia do exemplar que ele requisitara nesse dia, quando finalmente descobrira o autor do livro que a dona Palmira devorava, todas as tardes daquele mês de Agosto.

“A ilha misteriosa” , de Júlio Verne.

Um sabor estranho invadiu-lhe o paladar. Quase quarenta anos depois, voltou a saborear a memória daquele chocolate, perante o olhar ternurento da bibliotecária.

Ainda lhe quis agradecer, mas o nó da garganta não consentiu.

Ela compreendeu… e abraçou-o de novo."


Muito obrigada, Entremares!
13.5.09 | Autor: Maria Augusta

Música e flores, que bela combinação, né? Pois esta é uma das propostas do pintor naturalista americano Timothy Martin, cujo trabalho pode ser visto numa exposição em Paris neste momento. Seus guaches e aquarelas evocam as telas de Archimboldo, que compunha seus temas com frutas...no seu caso é com flores e animais. Então vemos liras compostas por "muguets", pavões formando os lados de uma harpa, um sofá composto por rosas...e cabras! Suas obras podem ser olhadas sob várias facetas, por exemplo o modo como ele combinou os animais e vegetais para dar forma a um objeto, a riqueza das cores que traz uma exuberância ao quadro, ou também pequenas paisagens que ele insere nos motivos da composição. Os temas preferidos de Timothy Martin são os instrumentos musicais e os móveis, neste diaporama trago os primeiros, os segundos ficarão para um próximo post.Vejam como é original o trabalho dele (se tiver problemas para visualizar o diaporama clique sobre ele para vê-lo diretamente no slide.com)...


6.5.09 | Autor: Maria Augusta

Com a abertura duma exposição na Cité d'Architecture, na semana passada foram revelados os estudos solicitados a dez arquitetos franceses e estrangeiros visando obter propostas e idéias para a preparação da Grande Paris para o futuro. O governo francês deu como prioridades para suas concepções o desenvolvimento sustentável, a coerência entre os meios de transporte e a abolição dos guetos existentes. Os projetos apresentados foram arrojados, surpreendentes...como cada um possui várias facetas, vou descrever separadamente os mais interessantes a meu ver, começando pelo projeto da equipe do arquiteto mais famoso, Jean Nouvel.

Este arquiteto francês de renome internacional já construiu obras cujos materiais são principalmente o vidro e o metal, jogando com os efeitos de luz e de transparência. Já realizou muitas modernizações de imóveis antigos, como a Igreja de Sarlat ou a Ópera de Lyon além do Museu da Rainha Sofia na Espanha, mas também já projetou edifícios moderníssimos como a torre Agbar em Barcelona, o Instituto do Mundo Árabe e o Museu do Quai Branly (foto acima), além de ter ganho a concorrência para o mais recente arranha-céu que será erigido no bairro La Défense, em Paris. É responsável também pelo projeto do moderníssimo "Museu do Louvre de Abu Dhabi", a ser construido em breve.

No desenvolvimento deste projeto para o futuro de Paris ele trabalhou em parceria com Jean-Marie Dutilheul e Michel Cantal-Dupart, se baseando no "Manifesto" com o M lembrando : megalópole, mudança, mobilidade, mistura, melhor vida. O resultado foi uma proposta baseada em arranha-céus e jardins, nos quais os imóveis atuais seriam conservados e embelezados para neles incluir o verde. Nele, o limite de altura "tolerado" na cidade seria abolido e seriam adicionadas "torres", enormes arranha-céus que consistiriam em "ecocidades", possuindo cada uma toda a infraestrutura que atrairia também os habitantes das vizinhanças. Para as zonas de menor densidade de população da periferia, arranha-céus seriam construidos incluindo a tecnologia que permite o desenvolvimento sustentável reproduzindo os monumentos de Paris. As orlas dos rios, das estradas, das florestas seriam reaproveitadas para a construção de ciclovias ou de hortas comunitárias. O sistema de transporte (trens, metrôs) seria interligado de tal maneira que sempre haveria um trem a cada sete minutos para ir de um ponto a outro da cidade. Vejam no diaporama a tradução em imagens de algumas das propostas do atelier Nouvel :





Todos os detalhes a respeito destes projetos podem ser encontrados aqui (em francês) ou você encontrará um resumo em português aqui.

28.4.09 | Autor: Maria Augusta

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Le Miracle Familier - Xavier Boussiron et A. Labelle-Rojoux

Na semana passada foi inaugurada em Paris a exposição trienal "La Force de l'Art 02", patrocinada pelo Ministério da Cultura e da Comunicação. Dela participam artistas franceses ou estrangeiros que vivem na França e se constitui num termômetro do que é feito em termos de arte contemporânea por aqui. Ela está acontecendo em vários pontos de Paris, como a Torre Eiffel, o Museu Grévin, a igreja Santo Eustáquio, o Palais de la Découverte e o Museu do Louvre, mas a mostra mais importante está no Grand Palais. Neste, numa arquitetura de Philippe Rahm mostrando uma "Geologia Branca" simulando placas tectônicas moduláveis segundo o tamanho de cada obra, jovens artistas (residentes) e artistas já confirmados (visitantes) expõem obras para todos os gostos.

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Por exemplo, como obra monumental tem-se o International Kebab de Wang Du (acima), que é uma gigantesca torre de papel com 9m de altura sob a forma de kebab, da qual os expectadores são convidados a cortar um pedaço com uma faca que é colocada à sua disposição. Nas folhas que são fixadas em torno de um eixo giratório estão impressas imagens da vida cotidiana dos chineses, cujo país segundo o artista se tornou um imenso fast food.

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Outras obras impressionantes são a de Anita Molinero, na qual enormes latas de lixo de PVC fundidas "caem" do teto, numa visão apocalíptica (foto acima), para, segundo ela, "queimar simbolicamente o objeto industrial e sua matéria artificial"...ou o POF Shop (POF= protótipo de objeto em funcionamento) de Fabrice Hyber no qual objetos familiares encontram uma utilização diferente da usual com a finalidade de criar novos comportamentos (foto abaixo), como o POF n° 65, que é uma bola cúbica. O público é convidado a experimentar estes objetos.

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Mas sabe que você pode entrar na exposição e interagir com ela sem sair da frente de teu computador? Isto é possível Photobucketporque a cada dia uma obra virtual é colocada em linha. Ontem brinquei um pouco com a obra Upstream de Isabelle Grosse. É como um vídeo game, retângulos vazios aparecem na tela e você deve clicar para fazê-los desaparecer até alcançar um certo score. No final o significado é mostrado: aqueles retângulos simulam os movimentos de uma multidão e as pessoas aparecem no lugar dos retângulos...e teus clics também...representados por grandes manchas vermelhas, parecem sangue...imaginem o choque, parece que você as matou! Acho que a moral da história é que não se deve clicar sem saber aonde... Se você quiser experimentar esta ou outras obras virtuais, a lista delas está aqui.

Vendo estas obras espetaculares, que parecem que possuem mais a intenção de chocar que de ser belas, fico pensando o que devemos julgar na arte contemporânea : a estética, a idéia, a mensagem, o impacto sobre o expectador? Em todo caso, acho que ainda preciso de algumas aulas para decifrá-la...

E então, vamos entrar na exposição e visitá-la?


Update 29/04/2009

Agradeço ao Eduardo por ter divulgado este post no seu maravilhoso "Varal de Idéias", fiquei muito honrada!

17.4.09 | Autor: Maria Augusta
A represa das Três Gargantas na China deverá entrar em funcionamento este ano, submergindo uma vasta área do centro deste país. O fotógrafo Yang Yi, que nasceu às margens do rio Yangtsé e verá sua cidade natal desaparecer para sempre, usando os artifícios da fotografia digital, resolveu então imaginar como ela seria se a vida continuasse normalmente sob as águas. Então se vê os velhinhos conversando nas ruas, um grupo em torno de uma mesa jogando o mahjong, crianças brincando, mas todos com máscaras e tubos para respirar sob a água. O resultado é uma atmosfera ao mesmo tempo antiga e futurista, pois ele deu uma cor sépia às fotos, e a claridade que vem do alto e penetra na água fornece uma luz meio "extraterrestre".



As fotos desta série de Yang Yi chamada "Uprooted" (Desenraizado) se encontram em exposição na galeria Dix de Paris e achei interessante trazê-las aqui porque as achei incrivelmente trágicas e belas, pois elas contem em seu ambiente o futuro sombrio da cidade, mas também a imortalizam permitindo que ela "viva" mesmo após ser engolida pelas águas.

Veja mais sobre Yang Yi e sobre a exposição Uprooted aqui.


Update 20/04/2009

A querida Laura recomendou este post no seu excelente blog Caminhar. Muito obrigada de coração!

 
13.4.09 | Autor: Maria Augusta
Por aqui a Páscoa continua hoje, segunda-feira...e como neste ano para nós a Páscoa foi alsaciana passando por Estrasburgo vimos uma exposição maravilhosa de ovos decorados, a "Coquille d'Art". O tema deste ano de 2009 era o cristal, e as cristalerias da região se associaram à decoração tanto do salão quanto dos ovos. Quanto a estes, tinha para todos os gostos : naturais (de galinha, ganso, pato), de madeira, de porcelana, com decoração cerâmica, esmaltados, com strass, enfim uma verdadeira profusão de materiais e estilos. Claro que tirei mil fotos para mostrar a vocês. A montagem dá uma idéia da exposição, mas para vê-la em todo seu esplendor CLIQUE NO PAINEL ABAIXO PARA VER O DIAPORAMA DAS FOTOS NO PICASA. Vale a pena!

DiaporamaAu centre


Veja mais :

Para ver como são realizados os ovos com cristais Swarowsky mostrados na exposição clique aqui (está em francês, mas a imagem é auto-explicativa).
Para ver alguns dos fabulosos ovos Fabergé, clique
aqui.