Aqui na Europa a semana foi assim : falou-se da crise grega que ameaça contagiar outros paises e que fez a taxa de câmbio do euro despencar nas cotações...falou-se de novo no vulcão islandês que continua a expelir cinzas que continuam a fechar o espaço aéreo que elas atravessam. Comentou-se bastante também sobre os problemas do outro lado do Atlântico como a maré de petróleo que ameaça as costas americanas ou do outro lado do canal da Mancha, como as eleições na Inglaterra. Um item mais ameno da atualidade foi o eco da abertura da exposição universal de Xangai que ocorreu na semana passada na China e do sucesso da "operação charme" lançada pelos franceses para reconquistar este país. Sim, porque depois de vaiar a chama olímpica em sua passagem por Paris e de receber o dalai lama, a imagem da França estava meio desbotada no Império do Meio...e como todos sabem que comerciar com a China hoje em dia é imprencidível para qualquer país, era preciso "redourar a pílula". E para isto não foram poupados esforços para a construção do pavilhão francês para a exposição de Xangai. O arquiteto vencedor do concurso realizado para sua concepção foi Jacques Ferrier, com o projeto intitulado " A cidade sensual" pois segundo os criadores a exposição fará com que os visitantes experimentem os "sete sentidos", ou seja, além dos cinco normais que são a a visão, a audição, o olfato, o toque, o sabor, foram incluidos também o equilíbrio e o movimento, critérios muito valorizados pelos chineses. E estes sentidos seriam sensibilizados por meio dos produtos franceses expostos : gastronomia, perfumes, etc., além do "alimento para o intelecto" que não é negligenciável : o museu d'Orsay emprestou 6 obras (5 pinturas e uma escultura) : «l’Angélus» de Millet, «le Balcon» de Manet, «la Salle de danse à Arles» de Van Gogh, a «Femme à la cafetière» de Cézanne, «la Loge» de Bonnard, «le Repas» (também chamado «Les bananes») de Gauguin et «l’Age d’Airain» de Rodin. Tendo em mente os critérios do desenvolvimento sustentável o arquiteto propôs um quadrilátero de 6000 m2 cuja estrutura é uma mantilha feita com um concreto muito leve que "flutua" sobre um espelho d'água. Em seu centro foram colocados "jardins à la francesa", mas suspensos e na posição vertical, lembrando um circuito impresso informático, no espírito de ligar a tradição à modernidade. O pavilhão composto de 3 andares contem um auditório, 2 restaurantes gastronômicos, sendo um deles é o 6Sens dos chefs estrelados Jacques & Laurent Pourcel, cujos pratos trazem as cores, odores e sabores da cozinha do Mediterrâneo. O custo total deste pavilhão foi de 50 milhões de euros, sendo que o financiamento foi 50% dos cofres públicos franceses e 50% pago pelas empresas. A inauguração contou com a presença do presidente francês e de sua esposa Carla (cuja presença foi muito apreciada, a fanfarra chinesa até tocou 2 músicas dela) e também de Alain Delon (que é adorado na China), padrinho do pavilhão. Mas o que achei mais interessante é que durante toda a duração da exposição os casais que desejarem podem realizar um "casamento romântico" no pavilhão França, concorrendo assim a uma viagem de lua de mel em Paris. Pas mal, n'est-ce pas? Veja alguns pavilhões de outros paises na Exposição Universal de Xangai aqui . |
As passagens cobertas de uma rua à outra sempre tem um charme, especial, fornecendo alguns instantes de tranquilidade ao quebrar o ritmo frenético e os ruidos da cidade E nelas se tem a impressão que as coisas se passam num outro ritmo, as mudanças que ocorrem nas ruas as alcançam mais tarde, parecem que estão fora do tempo e do espaço. Em geral estas passagens se constituem em galerias comerciais (foram os embriões dos shoppings centers atuais), e muitas vezes nelas encontramos artigos ou produtos diferentes e originais, contrastando com a massificação do que vemos nos grandes centros comerciais. Grandes Galerias ou Galeria do Rock em São Paulo Quando morava em São Paulo, eu gostava muito das galerias da rua Augusta, onde se tinha um atendimento atencioso e personalizado, e sempre se achava algo especial naquelas pequenas boutiques escondidinhas nos cantos, que mais pareciam cavernas do Ali Babá. Mas em Sampa a maior concentração de galerias se encontra no Centro, onde elas começaram com a Galeria Guatapará nos anos 20 (instalada no local onde no passado funcionaram os estábulos das Indústrias Matarazzo) e floresceram com a expansão do "Centro Novo", entre os anos 50 e 60. Surgiram então a Ipê, a Califórnia, a R. Monteiro, a Nova Barão, a Metrópole (nela Plinio Marcos lançou sua primeira peça no “Ponto de Encontro”, um mixto de livraria e barzinho: “Dois Perdidos Numa Noite Suja”), a 7 de Abril, as Grandes Galerias. Mas hélas com o deslocamento do centro econômico da cidade para outros bairros (como a Avenida Paulista e a Av. Eng° Berrini) e devido à deterioração do Centro, para sobreviver elas tiveram que se dedicar a um comércio especializado, como é o caso das Grandes Galerias que se transformaram na "Galeria do Rock"... ou então se tornaram meras passagens para pedestres apressados...que prestando atenção poderiam observar belos murais como os de Bramante Buffoni nas Grandes Galerias, ou os pilotis de Niemeyer na Galeria Califórnia. Painel de Bramante Buffoni nas Grandes Galerias (São Paulo) Em Paris, muitas passagens cobertas ou galerias são atrações turísticas, existe até uma associação para conservá-las que organiza visitas monitoradas para os turistas. Suntuosas como a Galerie Vivienne, a Passagem Colbert ou a Passagem Jouffroy (que hoje abriga o Museu Grévin), populares como a Passagem Brady, elas eram verdadeiras marcas registradas da Paris no século XIX, quando eram mais de 150, das quais hoje só restam 20. Mas em Paris, a minha passagem coberta preferida fica perto do Rond Point dos Champs Elysées...ela é ultra-moderna, tem uma galeria de arte e um restaurante lá no fundo, com uma decoração linda tipo greco-romana. Depois de horas "batendo pernas" pela cidade, é muito bom sentar lá, tomar um copo de vinho, almoçar calmamente (às vezes tem até um pianista) e observar os badauds que passam.... Mas vamos às passagens cobertas de Paris, elas são lindas demais : (se desejar, utilize os botões de leitura no alto do diaporama para controlar o desfile das imagens) Fontes : Galerias parisienses : fotos de Sylvain Sonnet via L'internaute Galerias paulistanas : dissertação de mestrado "Edifícios e Galerias Comerciais : arquitetura e comércio da cidade de São Paulo, anos 50 e 60" de Cynthia Augusta Poleto Aleixo (São Carlos, 2005) Veja também : Galerias cobertas, grandes descobertas Update (14/10/2009)A Vi nos citou nos comentários uma outra galeria paulistana : "...Conheço bem as galerias de São Paulo...aliás como curiosidade, dos anos 70 até o final dos 90...Eduardo manteve em baixo de sua famosa casa Bola uma passagem publica que ligava a Rua Amauri à Rua Peruíbe com diversas lojinhas e restaurantes...marcou época na cidade e é memória de muitos baby boomers paulistanos..." O Marco fala de uma galeria em Santana : "Aqui em São Paulo, ali para os lados de Santana tem uma galeria bem ao estilo francês, é uma rua sem saída, com alguns chalés, plaquinhas pequenas e lugares bem aconchegantes. Tem uma doceria lá que é jogo duro. Ela tem um portão de ferro antigo que merece destaque, porque parece um daqueles portões de fazenda. Coisas de São Paulo." A Lunna disse : "...a Galeria Olido parece sobreviver..." Fomos ao Mr. Google e encontramos os seguintes dados sobre esta galeria, que foi restaurada em 2004 : (fonte aqui) "Um dos principais projetos da Secretaria Municipal da Cultura, afinado com a proposta de revitalização do Centro, a Galeria Olido tem como focos a difusão e a produção cultural... ...A Galeria Olido conta com 9 mil metros quadrados e cinco pisos do prédio onde no passado funcionou o tradicional Cine Olido. No térreo há uma sala de 150 metros quadrados destinada a aulas de dança de várias modalidades; um posto de informações do Anhembi, responsável por apresentar a cidade aos turistas; uma sala de registro de depoimentos para o Museu da Cidade; um posto da Guarda Civil Metropolitana com atendimento 24 horas e um telecentro. Ainda no térreo, funciona o Espaço Piolim – centro de referência para palhaços e técnicas circenses – que tem um palco na marquise de frente para a rua Dom José de Barros. Na sobreloja, há um salão de exposições, que também pode ser usado para eventos, além de uma oficina de reciclagem de componentes de hardware para computadores. No primeiro andar está instalada uma sala de espetáculos com capacidade para 300 pessoas e acústica projetada para música. Ainda nesse piso, o usuário pode usufruir de um espaço de aproximadamente 400 metros quadrados dedicado a exposições de artes visuais. O segundo andar tem um grande espaço reservado à dança contemporânea: quatro salas para ensaios – onde companhias de dança fazem projetos de residência artística – e um teatro com 128 lugares. No mesmo piso há um cinema com capacidade para 240 pessoas. O último andar abriga o projeto de cultura digital, incluindo os laboratórios de produção de áudio e vídeo, o laboratório hacker, salas de ensaio musical, uma web rádio e um centro de artes gráficas e web design." Update (14/10/2009) A Meire nos fala de uma galeria mineira : "...tenho uma recordaçao de uma Galeria em Belo Horizonte que eu frequentava com meus primos quando ia passar minhas ferias na capital mineira, creio que se chamava Galeria do Ouvidor." E a Georgia de uma galeria de Düsseldorf, na Alemanha : "...Em Düsseldorf temos a Galeria Kö; uma das galerias mais caras da Alemanha; os relógios ali custam a partir de 8 mil euros, uma bagatela se vc encontra até por 25 mil euros..." |
Update (23/06/2009)
A querida Sonia, a quem agradeço, nos trouxe uma informação preciosa em seu comentário :
"Voltei Maria Augusta, para passar um link para você - já que o tema hoje é livros - da entrevista com José Mindlin, e seu conjunto primoroso de 30.000 livros raros. As fotos foram tiradas pelo meu cunhado, Cristiano Mascaro. Link AQUI"
O artigo é muito interessante, recomendo sua leitura e dele trouxe estes fotos da biblioteca de José Mindlin :
Ela também nos dá uma dica de leitura, a respeito de um dos assuntos abordados neste post :
"Li um livro bem interessante, chamado A Biblioteca Desaparecida, Histórias da Biblioteca de Alexandria, de autoria do italiano Luciano Canfora."
Update 2 (24/06/2009)
Também sobre o acervo de José Mindlin veja o excelente post do Kovacs "No Mundo dos Livros - José Mindlin."
Update 3 (24/06/2009)
O Entremares deixou nos comentários este magnífico conto sobre o sentimento que as bibliotecas despertam :
"Existe algum local mais tranquilo que uma biblioteca ?
Bem… se excluirmos as igrejas vazias ou os mosteiros abandonados, é claro.
Pois… não, claro que não existe.
Apesar de que, naquele belo sábado de manhã, a excepção iria confirmar a regra de que as bibliotecas são locais silenciosos, de estudo e – porque não? – até inspiração. E isto tudo porque um filho da terra, o conhecidíssimo autor de romances históricos Luís Vilas Novas iria ali lançar a sua última obra, com direito a sessão de autógrafos, palestra e cocktail promovido pela sociedade portuguesa de autores. Enfim, uma cerimónia a que a pequena vila do Alandroal, escondida no Alentejo seco e quente de Agosto, não estava propriamente habituada.
Agosto, no Alentejo sempre foi sinónimo de três coisas; Calor – sempre muito… e muito seco, céu azul vivo - daquele tom que fere a vista de luz, reflectido na cal das paredes - e finalmente… as ruas desertas, na sagrada interrupção da sesta.
O Alandroal podia passar despercebido no anonimato das urbes turísticas, sem monumentos de primeira grandeza ou eventos de abrangência nacional. Mas, naquele sábado de Maio de 2009, um ilustre filho da terra decidira regressar a casa e honrar as suas origens, através daquele pequeno gesto simbólico – lançar um livro.
Luís Vilas Novas, o autor, era uma daqueles característicos contadores de histórias, como tantos outros alentejanos, que havia trocado as tertúlias de café e os jogos de dominó pelas artes da escrita, enveredando por uma carreira de sucesso que já contava com mais de doze títulos, versando os romances históricos – a sua área predilecta.
“ A cruzada secreta “ era precisamente o seu último romance; uma história de aventura e mistério, retratando a odisseia de três cavaleiros cruzados, numa missão secreta a pedido de Roma, para tentar sequestrar Saladino, o todo-poderoso sultão do Egipto, nas vésperas da queda de Jerusalém.
A biblioteca da vila, apesar de pequena, continuava acolhedora, como ele ainda recordava. Ainda pouco passava das dez da manhã quando o escritor voltou a percorrer o corredor branco, o pórtico de pedra que separava a recepção dos arquivos, rumo ao salão de leitura. A cerimónia só teria inicio ao meio-dia e isso dava-lhe tempo suficiente para poder, tranquilamente… matar saudades.
O salão de leitura não mudara nada, ao longo de todos aqueles anos – as mesmas estantes de madeira, com portas de vidro, a escada ao fundo para aceder ao arquivo antigo, propositadamente dissimulado nas estantes mais altas, as mesmas mesas de carvalho escuro, já com evidentes sinais da passagem dos anos… mas mesmo assim, ainda sedutoras.
Os olhos fixaram-se numa mesa em especial, junto de uma das janelas. Aquele era o “seu” lugar, o seu recanto de estimação – ali vivera as primeiras aventuras, saboreando as páginas com sabor a piratas, a contrabandistas, a heróis da revolução, a romances de cavalaria, a aventuras no espaço…
- O senhor doutor está matando saudades?
Voltou-se, sobressaltado. Aquela voz…
- Dona Palmira ? … É mesmo a senhora ?
Abraçaram-se efusivamente.
A biblioteca não seria a mesma … sem a dona Palmira, a eterna funcionária que ainda agora, já com a velhice bem estampada no rosto, resistia ao avançar dos anos e aparentemente, ainda tomava conta dos destinos de todos aqueles livros.
- O senhor doutor veio confirmar se já está tudo pronto ? – quis saber, o mesmo sorriso meigo que ele ainda recordava.
- Oh, dona Palmira, por favor… não me chame isso, que até me sinto mal… para si, eu serei sempre o Luís… só Luís. Deixe lá o doutor dentro da gaveta, por favor…
Ela aquiesceu, agradecida.
- Saudades ? – e ao mesmo tempo, ia apontando para a mesa onde o escritor estivera sentado e de onde se levantara em sobressalto.
Ele acenou em silêncio, numa concordância que dispensava palavras.
Por momentos, assim permaneceram, os olhares perdidos em tempos passados, recordando as colecções de instantes que, sem o percebermos, vão moldando a maneira como vemos as coisas…
- Tenho uma surpresa para si… - lá avançou a dona Palmira, após um longo silêncio – e queria dar-lha antes… de começar toda a confusão da cerimónia…
- Uma surpresa ? Ora essa…
Ela afastou-se, dirigindo-se até à mesa cinzenta metálica, onde ainda guardava as fichas de cartão com a identificação dos livros, dos armários, das prateleiras. É claro que também ali existia o computador e que – um pouco a custo, é certo – lá aprendera a trabalhar com o programa que geria a biblioteca. Mas não havia computador que substituísse o prazer de manusear com as mãos as pequenas cartolinas, com a sua letrinha cuidada e miudinha, a fazer lembrar a escola primária.
Abriu uma das gavetas e de lá retirou um pequeno embrulho, com um laço dourado.
- Oh, dona Palmira… então para que se deu a este trabalho ? Então…
Ela franziu os olhos, num olhar cúmplice.
- Vá… eu sei que gosta de presentes… e desta vez, não são chocolates…
Foi a vez dele recordar, com um sorriso nos lábios, os chocolates.
A dona Palmira sempre guardara, naqueles tempos longínquos, uma caixa de chocolates dentro da gaveta. Certo dia, ele vira-a a desembrulhar o doce e atrevera-se:
- Não me dá um chocolate desses ?
Mas ela não dera. Ao invés disso, lançara-lhe aquele olhar que ele tão bem conhecia e resmungara:
- Dou… mas só se souberes o nome do autor deste livro que estou aqui a ler…
Ele bem que tentou, espreitou, pôs-se a adivinhar… mas nada.
Baixou a cabeça, derrotado – Não sei…
Ela sorriu, matreira.
- Então é bom que tentes descobrir, meu malandro… ou então, nem te atrevas a voltar a pedir-me os meus maravilhosos chocolates…
Quanto tempo se passara? Trinta e muitos anos…
Emocionado, abriu o laço dourado e retirou o papel de embrulho. No seu interior, dois objectos.
Não conseguiu evitar o aperto da garganta, enquanto voltava a contemplar aquela letra torta – a sua – da requisição nº 3256, de 14 de Agosto de 1971, que segurava nas mãos. Por baixo, uma cópia do exemplar que ele requisitara nesse dia, quando finalmente descobrira o autor do livro que a dona Palmira devorava, todas as tardes daquele mês de Agosto.
“A ilha misteriosa” , de Júlio Verne.
Um sabor estranho invadiu-lhe o paladar. Quase quarenta anos depois, voltou a saborear a memória daquele chocolate, perante o olhar ternurento da bibliotecária.
Ainda lhe quis agradecer, mas o nó da garganta não consentiu.
Ela compreendeu… e abraçou-o de novo."
Muito obrigada, Entremares!
E então isto inspira esperança ou medo? Será que um dia haverá náufragos do clima que precisarão se abrigar em cidades como esta? E neste caso, quais serão os eleitos para habitar estas "arcas de Noé"? Seriam cidades assim soluções se a Terra atingir a superpopulação? Ou será apenas uma "solução sem problema" nascida na imaginação fértil de um arquiteto?
Este post estava previsto para o Ecological Day, ele foi suspenso mas tentarei escrever sobre o meio ambiente no início de cada mês. E por nisso, dia 5 de junho é o "Dia mundial do Meio Ambiente" e dia 8 de junho será o "Dia do Oceano". Fiquem de olho no "Faça a Sua Parte" para acompanhar estas comemorações.
Dando continuidade à série de projetos apresentados pelos arquitetos para a remodelagem de Paris para o futuro (lembrando que os critérios impostos pelo governo foram o desenvolvimento sustentável, a coerência dos meios de transporte e a abolição dos guetos existentes) depois da proposta de Jean Nouvel, é a vez do projeto de Roland Castro. Este arquiteto, que milita ativamente nos meios políticos da esquerda francesa, e é o fundador do Movimento de Utopia Concreta, apresentou um projeto voltado principalmente para a valorização da periferia de Paris, que ele caracterizou como sendo a Grande Paris "dos poetas, da deriva, da flânerie e da viagem". O porto de Genevilliers receberia uma Opera como a de Sidney e um "Ecoplaneta", Segundo ele, o coração de Paris se estende sobre uma área de 10 km por 10 em torno de seu centro. Neste espaço se concentram a administração da cidade e do país e a vida econômica e cultural da capital francesa. Ele deseja estender estas atividades a uma área cujo diâmetro seria 30 km por 30, criando uma "centralidade periférica" com transferência dos poderes políticos e administrativos para os atuais subúrbios, assim como a instalação nestes de teatros e museus, eliminando assim a distorção atual que concentra a atratividade de Paris no seu centro histórico. O Eco Planeta no porto de Genevillers Para permitir o fim do isolamento destas zonas periféricas, ele propõe 3 anéis de tramways, entre eles uma grande coroa, barcos-ônibus nos rios Sena e Marne e também acessos mais rápidos aos diversos bairros por meio de um metrô aéreo automático, além de um outro anel rápido unindo Orly-Roissy-La Défense. Um porto em Roissy também é previsto, para que o abastecimento da cidade seja feito por via fluvial. Coloquei no diaporama abaixo mais alguns detalhes do projeto do gabinete Roland Castro, que trabalha em associação com as arquitetas Sophie Denissof e Silvia Casi. Para ver mais todos os detalhes deste projeto assim como os dos outros arquitetos clique aqui. |
George Garen - Embrasement de la tour Eiffel pendant l’Exposition universelle de 1889 (fonte) Dia 15 de maio a Dama de Ferro, ou seja, a Torre Eiffel completou 120 anos...e está mais jovem do que nunca. Para seu aniversário ganhou roupa nova (foi completamente pintada), uma exposição contando sua história, recentemente ganhou um novo restaurante e continua a receber cada vez mais visitantes. Já imaginou Paris sem ela? Difícil, não é mesmo? Pois ela por pouco não existiu e no começo do século passado quase foi demolida, sob o peso das críticas de seus detratores que publicaram um manifesto de protesto, no qual a chamavam de inútil e monstruosa chaminé de fábrica, entre outras "gentilezas"... Polêmica Gustave Eiffel, o empresário que a criou, não era um débutant. Especialista em estruturas metálicas, ele já havia construido o viaduto do Porto sobre o Douro em Portugal, o viaduto de Garabit no sudoeste da França, entre outros. A montagem da Torre Eiffel começou em 1887 e ela ficou pronta para a exposição universal de 1889, que comemorava o primeiro centenário da Revolução Francesa. Sua estrutura em arcos que se encaixam deve suportar a ação do vento, que é seu maior perigo. Normalmente, ela deveria ser demolida 20 anos após a exposição...no entanto, o interesse popular a manteve em pé...quando este arrefeceu pensou-se em retirá-la da paisagem de Paris. Mas Eiffel nela havia instalado estações de radio e laboratórios de pesquisas meteorológicas,o que impediu seu desmantelamento. Desafiadora...Seu porte sempre exerceu um fascínio sobre os aventureiros ...alguns galgaram seus degraus a pé em competições, outros em bicicleta, em motocicleta, até um elefante nela se aventurou. Muitos escalaram suas estruturas, equilibristas realizaram números, paraquedistas se lançaram do seu topo, e nos primórdios da aviação, Santos Dumont venceu um concurso cujo objetivo era rodeá-la saindo de Saint-Cloud (subúrbio de Paris) e voltando ao ponto de partida ...em 30 minutos! (fonte : imagens Google) Inspiradora...Ela também foi fonte de inspiração para pintores e poetas : por exemplo a obra acima no inicio do post é de Georges Garen, que a pintou durante a exposição universal de1889...depois Seurat, o Douanier Rousseau, Signac, Bonnard, Utrillo, Gromaire, Vuillard, Dufy, Chagall também a celebraram, assim como Robert Delaunay que deu a ela facetas cubistas numa série pintada a partir de 1910. Poetas como Apollinaire e e músicos também nela buscaram sua inspiração, assim como vários filmes a tiveram como cenário. Acima, Ratatouille (no filme de mesmo nome) a observa parecendo fascinado pela "Dama de Ferro". (fonte : imagens Google) Radiante A iluminação da Torre Eiffel também merece um capítulo à parte, ela acompanha os eventos que vão marcando a história. Ela se vestiu de vermelho para o ano da China na França, de azul com 12 estrelas para a inauguração da presidência francesa da Europa, explode em mil fogos de artifício a cada passagem de um ano a outro, sendo que a mais memorável foi a entrada do novo milênio...diariamente a cada início de uma nova hora ela cintila durante 5 minutos, fornecendo um espetáculo aos passantes e lembrando que, Paris, por esta e por outras, é a "Cidade Luz"...e que a Torre Eiffel é sua estrela mais brilhante! |
Todos os detalhes a respeito destes projetos podem ser encontrados aqui (em francês) ou você encontrará um resumo em português aqui. |

