Pipa, papagaio, quadrado, pandorga, arraia...pouco importa o nome, ela nos faz sonhar rodopiando lá no céu. Dizem que foram os chineses que a inventaram por volta de 200 aC. e uma das suas primeiras aplicações foi militar (!) para transmitir mensagens a aliados, e parece que até Marco Polo a utilizou para atacar inimigos quando esteve na China, no que teria sido o primeiro ataque aéreo da história. Mais tarde ela se espalhou pelo mundo e adquiriu no Oriente um forte significado religioso e ritualístico, por exemplo uma pipa com um dragão traz a prosperidade, uma com uma coruja a sabedoria, ou ainda com uma tartaruga traz longa vida. Mas construir uma pipa é uma arte! E ela tem que ser caprichada, pois ela tem que subir, nada é mais triste que uma pipa no chão. Segundo os físicos "A relação entre a força do vento e a tensão da linha é a condição determinante para se empinar uma pipa". Mas depois que ela sobe, se faz círculos muito grandes, ou inclina para um lado ou tem vôo irregular, significa que ela precisa ser melhorada. Porque ela tem que obedecer a nosso comando e voar linda e graciosa lá no céu...como estas do campeonato de pipas que aconteceu em São Paulo na semana passada em frente ao Museu do Ipiranga:
Para saber mais sobre as pipas (fonte da maior parte das informações deste post) : Portal de Pipas e Papagaios Silvio Voice Para ver mais fotos sobre o campeonato no Museu do Ipiranga (fonte das fotos): |
Mosteiro de São Bento, tratamento numérico feito por mim a partir de uma foto tirada no mirante do Banespa (2009) Hoje São Paulo, a gigante, está completando 456 anos...velha ou moça, depende do referencial, não é mesmo? Mas apesar de toda a sua idade ela ainda guarda alguns mistérios, lugares secretos onde o comum dos mortais não tem acesso, embora possa imaginá-los a partir da beleza ou da imponência exterior. Um deles é o interior do Mosteiro do São Bento, que vai abrir excepcionalmente para este aniversário, para apresentar uma exposição de arte contemporânea chamada "Arte e Espiritualidade". Este prédio foi construido entre 1910 e 1914, no entanto a ordem religiosa que lhe deu origem está neste local desde 1600. Nele, que abriga 42 monges, já funcionou um cineclube que costumava passar filmes de Ingmar Bergman e um teatro que revelou Sérgio Cardoso, mas estava fechado ao público desde os anos 1960. Para esta exposição serão abertas as salas do colégio e da faculdade, o parlatório do mosteiro e a capela do colégio, que foi reformada para a visita do papa Bento XVI a São Paulo. Nesta podem ser vistos belos vitrais e afrescos do pintor austríiaco Thomas Scheuchl. O claustro (jardim interno que os monges usam para meditar) permanecerá fechado mas poderá ser percebido a partir das janelas de uma das salas de exposição. A mostra "Arte e Espiritualidade" traz pinturas, fotografias e instalações contemporâneas que investigam o papel da espiritualidade no mundo moderno e são da autoria de Carlos Eduardo Uchôa, José Spaniol e Marco Giannotti. "No primeiro piso da exposição, José Spaniol apresenta obras da série balanças e lousas nas salas do Parlatório do Mosteiro. Para o teatro, Spaniol e Giannotti criaram uma vídeoinstalação sobre o tempo. Nas salas subseqüentes, os artistas Marco Giannotti e Carlos Eduardo Uchôa apresentam pinturas de grande escala e duas interpretações distintas sobre a via Crucis em 14 estações. O segundo andar traz uma série de fotografias de Uchoa sobre imagens refletidas que foram escolhidas para a exposição, com destaque para as imagens em “looping” instaladas em dois monitores. O encerramento da visitação é no terceiro andar, com uma instalação de Uchoa e Spaniol dentro da Capela e que tem como tema o céu e o inferno" (fonte aqui). Mas vamos visitá-la? Para isto, clique na imagem abaixo e veja o diaporama magnífico do portal da UOL mostrando toda a exposição. E como São Paulo não é a única que aniversaria no dia 25 de janeiro, divido com vocês esta réplica do bolo paulistano que saboreamos no meu aniversário do ano passado no restaurante "Casa da Fazenda" na Paulicéia (mas, vejam bem, é São Paulo que está completando 456 anos e não eu, viu???). Hum, estava uma delícia!
Endereço e horários da exposição : Largo de São Bento s/n Centro São Paulo Estação São Bento do Metrô Visitação Monitorada: das 13:00h às 17:00h de terça a sexta e das 10:00h às 17:00h aos sábados e domingos, até 21 de Fevereiro de 2010, quando se encerra a exposição. ENTRADA FRANCA. Se você for à exposição, não deixe de passar na padaria dos monges na entrada do mosteiro, tem uns pães deliciosos, o meu preferido é "pão São Bento", à base de mandioquinha.Fontes : |
Sempre digo que sou paulistana e que estou nanceiense...afinal nasci na cidade de São Paulo no dia de seu aniversário e no Hospital São Paulo. Logo esta cidade está na minha pele e por mais terras que eu percorra, estou sempre de olho no que nela se passa...Mas não posso negar que ela tem seus problemas, é uma cidade "sem rosto", na sua ânsia de modernidade e gigantismo, não se preocupou muito com a conservação de seu patrimônio. Toco neste assunto porque recentemente encontrei um site Web chamado "São Paulo Abandonada", mantido por um fotógrafo (Douglas Nascimento) e uma historiadora (Glaucia Garcia de Carvalho), que faz um recenseamento de todos os prédios, casas, monumentos, usinas, templos, que estão em estado de abandono na cidade. Eles procuram também se documentar sobre as razões do abandono e cada foto tem uma história para contar. O objetivo é guardar as imagens como uma memória da cidade que poderá ser vista pelas gerações futuras, principalmente no caso dos imóveis que serão demolidos. O site também serve para chamar a atenção dos moradores dos bairros para o problema, para que eles pressionem as autoridades competentes para resolvê-lo. Todos que conhecem imóveis nesta situação podem colaborar com o site, basta enviar a denúncia que eles irão ao local fotografar. Sei que sempre trago aqui coisas mais agradáveis sobre minha cidade, mas acho que mostrar o que deve ser melhorado e resolvido também é importante. Vejam só alguns exemplos do que já foi catalogado, todas as fotos são de Douglas Nascimento (clique na foto para ver o diaporama) : Site "São Paulo Abandonada e Antiga", AQUI Update (12/11/2009)Enviei um e-mail ao Douglas Nascimento perguntando quais foram até agora os resultados do trabalho que eles realizaram no "São Paulo Abandonada e Antiga". Aqui está sua resposta : "Olá Maria Augusta, como vai ? Muito obrigado pelas suas palavras, me deixa bastante enaltecido. Também adorei seus escritos sobre o site. O site tem atualização constante e ainda esta semana teremos cerca de 12 novos pontos adicionados na região da zona norte de São Paulo. Não tivemos ainda nenhum caso de "reabilitação" de imóvel, mas com a ação do site já conseguimos reverter duas invasões de imóveis (ambas flagradas ao vivo pelo site) e fazer a prefeitura recuperar a fonte Monumental, que havia sido pichadas por vândalos. No caso dos imóveis, nossa ação foi fundamental para a polícia e prefeitura agir e retomar os imóveis (um deles pertencente ao empresário e apresentador Sílvio Santos) e no caso da fonte, já estava pichada e a prefeitura só agiu após denunciarmos no site com exclusividade, e que depois foi retransmitido pela Bandnews FM e CBN. Esperamos que em breve mas imóveis e monumentos possam ser reabilitados. Continue sempre conosco. Abraços, Douglas" Muito obrigada pela resposta, Douglas, nós estamos torcendo para que o trabalho de vocês dê muitos frutos. |
As passagens cobertas de uma rua à outra sempre tem um charme, especial, fornecendo alguns instantes de tranquilidade ao quebrar o ritmo frenético e os ruidos da cidade E nelas se tem a impressão que as coisas se passam num outro ritmo, as mudanças que ocorrem nas ruas as alcançam mais tarde, parecem que estão fora do tempo e do espaço. Em geral estas passagens se constituem em galerias comerciais (foram os embriões dos shoppings centers atuais), e muitas vezes nelas encontramos artigos ou produtos diferentes e originais, contrastando com a massificação do que vemos nos grandes centros comerciais. Grandes Galerias ou Galeria do Rock em São Paulo Quando morava em São Paulo, eu gostava muito das galerias da rua Augusta, onde se tinha um atendimento atencioso e personalizado, e sempre se achava algo especial naquelas pequenas boutiques escondidinhas nos cantos, que mais pareciam cavernas do Ali Babá. Mas em Sampa a maior concentração de galerias se encontra no Centro, onde elas começaram com a Galeria Guatapará nos anos 20 (instalada no local onde no passado funcionaram os estábulos das Indústrias Matarazzo) e floresceram com a expansão do "Centro Novo", entre os anos 50 e 60. Surgiram então a Ipê, a Califórnia, a R. Monteiro, a Nova Barão, a Metrópole (nela Plinio Marcos lançou sua primeira peça no “Ponto de Encontro”, um mixto de livraria e barzinho: “Dois Perdidos Numa Noite Suja”), a 7 de Abril, as Grandes Galerias. Mas hélas com o deslocamento do centro econômico da cidade para outros bairros (como a Avenida Paulista e a Av. Eng° Berrini) e devido à deterioração do Centro, para sobreviver elas tiveram que se dedicar a um comércio especializado, como é o caso das Grandes Galerias que se transformaram na "Galeria do Rock"... ou então se tornaram meras passagens para pedestres apressados...que prestando atenção poderiam observar belos murais como os de Bramante Buffoni nas Grandes Galerias, ou os pilotis de Niemeyer na Galeria Califórnia. Painel de Bramante Buffoni nas Grandes Galerias (São Paulo) Em Paris, muitas passagens cobertas ou galerias são atrações turísticas, existe até uma associação para conservá-las que organiza visitas monitoradas para os turistas. Suntuosas como a Galerie Vivienne, a Passagem Colbert ou a Passagem Jouffroy (que hoje abriga o Museu Grévin), populares como a Passagem Brady, elas eram verdadeiras marcas registradas da Paris no século XIX, quando eram mais de 150, das quais hoje só restam 20. Mas em Paris, a minha passagem coberta preferida fica perto do Rond Point dos Champs Elysées...ela é ultra-moderna, tem uma galeria de arte e um restaurante lá no fundo, com uma decoração linda tipo greco-romana. Depois de horas "batendo pernas" pela cidade, é muito bom sentar lá, tomar um copo de vinho, almoçar calmamente (às vezes tem até um pianista) e observar os badauds que passam.... Mas vamos às passagens cobertas de Paris, elas são lindas demais : (se desejar, utilize os botões de leitura no alto do diaporama para controlar o desfile das imagens) Fontes : Galerias parisienses : fotos de Sylvain Sonnet via L'internaute Galerias paulistanas : dissertação de mestrado "Edifícios e Galerias Comerciais : arquitetura e comércio da cidade de São Paulo, anos 50 e 60" de Cynthia Augusta Poleto Aleixo (São Carlos, 2005) Veja também : Galerias cobertas, grandes descobertas Update (14/10/2009)A Vi nos citou nos comentários uma outra galeria paulistana : "...Conheço bem as galerias de São Paulo...aliás como curiosidade, dos anos 70 até o final dos 90...Eduardo manteve em baixo de sua famosa casa Bola uma passagem publica que ligava a Rua Amauri à Rua Peruíbe com diversas lojinhas e restaurantes...marcou época na cidade e é memória de muitos baby boomers paulistanos..." O Marco fala de uma galeria em Santana : "Aqui em São Paulo, ali para os lados de Santana tem uma galeria bem ao estilo francês, é uma rua sem saída, com alguns chalés, plaquinhas pequenas e lugares bem aconchegantes. Tem uma doceria lá que é jogo duro. Ela tem um portão de ferro antigo que merece destaque, porque parece um daqueles portões de fazenda. Coisas de São Paulo." A Lunna disse : "...a Galeria Olido parece sobreviver..." Fomos ao Mr. Google e encontramos os seguintes dados sobre esta galeria, que foi restaurada em 2004 : (fonte aqui) "Um dos principais projetos da Secretaria Municipal da Cultura, afinado com a proposta de revitalização do Centro, a Galeria Olido tem como focos a difusão e a produção cultural... ...A Galeria Olido conta com 9 mil metros quadrados e cinco pisos do prédio onde no passado funcionou o tradicional Cine Olido. No térreo há uma sala de 150 metros quadrados destinada a aulas de dança de várias modalidades; um posto de informações do Anhembi, responsável por apresentar a cidade aos turistas; uma sala de registro de depoimentos para o Museu da Cidade; um posto da Guarda Civil Metropolitana com atendimento 24 horas e um telecentro. Ainda no térreo, funciona o Espaço Piolim – centro de referência para palhaços e técnicas circenses – que tem um palco na marquise de frente para a rua Dom José de Barros. Na sobreloja, há um salão de exposições, que também pode ser usado para eventos, além de uma oficina de reciclagem de componentes de hardware para computadores. No primeiro andar está instalada uma sala de espetáculos com capacidade para 300 pessoas e acústica projetada para música. Ainda nesse piso, o usuário pode usufruir de um espaço de aproximadamente 400 metros quadrados dedicado a exposições de artes visuais. O segundo andar tem um grande espaço reservado à dança contemporânea: quatro salas para ensaios – onde companhias de dança fazem projetos de residência artística – e um teatro com 128 lugares. No mesmo piso há um cinema com capacidade para 240 pessoas. O último andar abriga o projeto de cultura digital, incluindo os laboratórios de produção de áudio e vídeo, o laboratório hacker, salas de ensaio musical, uma web rádio e um centro de artes gráficas e web design." Update (14/10/2009) A Meire nos fala de uma galeria mineira : "...tenho uma recordaçao de uma Galeria em Belo Horizonte que eu frequentava com meus primos quando ia passar minhas ferias na capital mineira, creio que se chamava Galeria do Ouvidor." E a Georgia de uma galeria de Düsseldorf, na Alemanha : "...Em Düsseldorf temos a Galeria Kö; uma das galerias mais caras da Alemanha; os relógios ali custam a partir de 8 mil euros, uma bagatela se vc encontra até por 25 mil euros..." |
Este post faz parte da Tertúlia Virtual organizada pelo Varal de Idéias e pelo Expresso da Linha.

