Sempre me impressiono com a riqueza e diversidade mundial dos acervos quando vou a um grande museu como o Louvre, ou o Metropolitan e todos os outros museus ocidentais...Quando vemos a Vitoria de Samothrace imponente no alto da escadaria do Louvre, filas para ver a cabeça de Nefertiti em Berlim, os afrescos do Parthenon em Londres, parece que a mundialização no domínio das artes já começou há muito tempo, não é mesmo? Mas parece que não é bem assim... Busto de Nefertiti no Neues Museum em Berlim que é rclamado pelo Egito, embora o museu recuse baseado em documentos. Foto : Pierre ADENIS/GAFF-LAIF-REA (fonte : Le Figaro) Nestes últimos meses aconteceu uma reunião dos aqui chamados paises "do sul" visando fazer com que estas obras de arte que estão dispersas pelo mundo retornem a seus paises de origem. Um que reclama com veemência o retorno de seu prestigioso patrimônio é o Egito e para começar, ele deseja recuperar a cabeça de Nefertiti que está em Berlim e a pedra da Roseta, que está no British Museum em Londres. Por seu lado, a Grécia está solicitando à Inglaterra a volta dos altos relevos em mármore do Parthenon para serem reinstalados em seus devidos lugares originais, o Mali reclamou suas estatuetas que estavam no museu de artes primitivas de Paris e por aí vai...e será que eles tem chance de recuperá-las? Mármores do Partenon, que estão no British Museum e cuja devolução é solicitada pelos gregos. (Fonte : Le Figaro) Parece que tudo depende da forma como elas foram adquiridas, se legalmente ou não. Por exemplo, em um encontro com o presidente do Egito recentemente, Nicolas Sarkozy devolveu a ele cinco fragmentos provenientes de um túmulo situado no Vale dos Reis que teria pertencido a um dignatário egípcio que viveu entre 1550 e 1290 aC. O museu do Louvre havia comprado estas peças recentemente "de boa fé" e no entanto elas teriam saido ilegalmente do Egito, que exigiu sua devolução. Zodíaco de Denderá, há 200 anos no museu do Louvre e cuja restituição é solicitada pelos egípcios. (Fonte : Le Figaro) E não são apenas as obras oriundas de monumentos históricos que estão sendo reclamadas. Durante a Segunda Guerra Mundial por exemplo, muitas famílias principalmente judias tiveram obras de arte confiscadas pelos nazistas, que atualmente se encontram espalhadas pelo mundo em posse de particulares e de museus. Os descendentes destas famílias tem tentado recuperá-las, como é o caso da obra de Gustave Klimt "O retrato de Adele Bloch-Bauer", devolvida recentemente à sobrinha da retratada após um longo processo movido "por razões sentimentais"...as quais duraram algumas semanas após a recuperação da obra, até que o quadro foi vendido a um milionário americano por 135 milhões de dólares. Retrato de Adèle Bloch-Bauer de Klimt, que foi devolvido à família da retratada pelo museu Belvedere de Viena. (Fonte : Le Figaro) Em todo caso, tudo isto ainda via dar muito "pano para mangas". Afinal uma obra de arte pertence ao país que a produziu ou à humanidade inteira? O que foi obtido legalmente no passado pode ser reclamado diante da situação política atual? E o que quer dizer "legalmente", uma presa de guerra era considerada como legítima pelo vencedor, mas isto é ético? E os paises que reclamam as obras será que são capazes de mantê-las em bom estado? A presença destas obras em museus onde podem ser vistas por milhares de pessoas não seria mais interessante para divulgar o patrimônio cultural de um país? Enfim são muitas as perguntas e as respostas são extremamente relativas... |
Que coisa terrível esta catástrofe no Haiti, não é mesmo? Quando a natureza ergue a voz e nos mostra que é ela que tem a última palavra, podemos fazer muito pouco para nos proteger, como no caso desta cidade que foi praticamente varrida do mapa...mas não são apenas os fenômenos naturais que provocam o desaparecimento de cidades. Muitas vezes, espontaneamente ou forçada por circunstâncias diversas, a população parte de um lugar, e a cidade se torna uma "cidade-fantasma". Veja alguns casos (clique nas setas abaixo do texto para virar as páginas) :
Fonte : L'Internaute
Update (21/01/2010)
A Elma nos fala da cidade desaparecida de Pompéia e nos traz fotos de objetos nela encontrados :
"...Observei que a maioria das cidades fantasmas, aconteceu pelas mãos do próprio homem e poucas por acidentes geográficos.
Lembrei-me de Pompéia, aquela rica tão famosa e próspera cidade da Itália que foi destruída pela erupção do Vesúvio em 79 d.C quando foi coberta pelas cinzas quentes e argamassa de até 2m de altura e em alguns locais com até 4m soterrando e matando quase todos os habitantes de surpresa, enterrando com eles toda uma riqueza cultural fabulosa.
Tenho um livro de artes sobre a beleza dos objetos: Jóias, paredes de afrescos, estátuas que foram descobertos pelas escavações.
Tirei algumas fotos do livro para lhe mostrar de jóias em ouro e pedras preciosas, pérolas etc estão no Museu Nacional Arqueólogo de Nápoles.
Não repare nas fotos mal tiradas e de má qualidade pois esse é o meu primeiro álbum na web. Adorei fazer e vou usar muito esse recurso que descobri hoje e não sei ainda como colocar legendas, mas eu chego lá.
Clique em Imagens Shack..."
Update (22/01/2010)
O Marco também comentou sobre uma cidade-fantasma que ele conheceu :
"Seu post me fez lembrar uma cidade brasileira que em 2006 estava a venda e só tinha um morador. Era uma vila construída há 35 anos para abrigar 120 operários da hidrelétrica de Jaguará, na divisa entre Minas Gerais e São Paulo. Os funcionários foram demitidos e ficou a vila que a companhia energética de Minas tentou vender. A tal vila tinha espaço suficiente para abrigar 235 Maracanãs. Dá pra imaginar o tamanho?
E pelo que eu lembro só não era considerada cidade mesmo porque não tinha prefeitura, delegacia, hospital e fórum..."
Update 2 (22/01/2010)
A Luma também nos conta sobre duas cidades fantasmas :
"No Chile, temos a cidade fantasma de Sewell, encravada no meio dos Andes e a Mina El Teniente, a maior mina de cobre subterrânea do mundo, que é considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO.
Em Minas, onde fica a represa do Rio grande, o vilarejo de Quebra-Chifre está submerso, isto aconteceu na época da construção da represa em 1970 e está à 15m de profundidade. Uma cidade fantasma submersa onde os mergulhadores fazem mapeamentos pelo local, passeando na cidade dentro da água."
Escrever há alguns dias sobre Asterix, assistir a uma conferência sobre a história de uma cidade aqui do leste da França, ler na blogosfera sobre a história de Portugal e Espanha, me fizeram pensar no papel que os romanos desempenharam na formação de nossa civilização "ocidental". Muitos povos conquistaram e subjugaram outros pela força de seus exércitos como eles, mas poucos deixaram vestígios tão fortes, como por exemplo a própria origem de vários idiomas e monumentos que podem ser vistos até hoje, 2000 anos depois. E o que quer dizer Astérix quando diz : "Estes romanos são loucos?" Lendo um pouco sobre o assunto encontrei algumas explicações. Segundo os historiadores, Roma pilhava e saqueava como todos os conquistadores, mas depois impunha aos vencidos a "Pax Romana", manifestando o desejo de associá-los ao Império, pela participação dos autóctones na vida política e trazendo para cada província o "way of life" romano, com as residências, arenas, teatros, templos, aquadutos, estradas... e seu gosto pela diversão : « Segundo o calendário de Roma, no fim da República, os 65 dias de jogos públicos se repartiam assim : 48 de teatro, 13 para o circo, 4 consagrados aos concursos hípicos, os jogos de anfiteatro não ocorriam ainda nesta época... No século IV, o número de dias atinge 175 : o teatro, com 101 dias vem sempre em primeiro lugar, depois o circo (64), e depois o anfiteatro (10)».( fonte : P.-M. Duval, Vie quotidienne, p. 266). Quanto às religiões, pelo menos na "Gália", encontraram-se evidências de que o culto aos deuses existentes antes da invasão eram tolerados em carater doméstico, enquanto a presença nos templos romanos mostrava a lealdade em relação ao Império. Isto até o ano de 313, quando a religião oficial do Império Romano passou a ser o cristianismo. Claro que haveria muito ainda sobre o que falar, mas no momento estou só no começo de minhas pesquisas sobre esta época...à medida que for descobrindo mais vou trazendo para cá, assim quem gosta de História também pode aproveitar. No diaporama abaixo, alguns monumentos galo-romanos existentes na França :
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