8.9.09 | Autor: Maria Augusta

A Lorraine, aqui na França, é uma região do "interior", e Nancy, cidade onde moro fica a aproximadamente 300 Km de Paris...mas embora não seja tão badalada quanto a Capital, ou as regiões do sul como a Côte d'Azur aqui também acontecem coisas interessantes. E uma delas começou a acontecer há mais de 100 anos (na época a cidade recebeu um grande afluxo de capitais dos vizinhos alsacianos ricos que fugiram do dominio alemão, que por ter vencido a guerra de 1870 anexaram a Alsácia e boa parte da Lorraine) e foi a art nouveau, movimento do qual Nancy foi um berço aqui na França. Pessoalmente o que aprecio na art nouveau é que ela estendeu a palavra "arte", que antes era aplicada somente à pintura, escultura e arquitetura aos objetos do cotidiano, como os vasos, os vitrais, os móveis, as jóias, criando o que chamamos hoje de "artes decorativas"...sem falar nos temas trazidos da natureza, como os pássaros, as flores e plantas em geral, a mulher, o mar. E neste verão a região relembrou a "art nouveau" trazendo várias exposições, sendo que a mais interessante foi a de Emile Gallé, na cidade de Vic sur Seille.

Vaso de Emile Gallé tendo como tema a orquídea

Emile Gallé foi um dos maiores expoentes da art nouveau, com seus móveis de marqueteria, suas cerâmicas e principalmente seus vasos de vidro e cristal cheios de simbolismos. Sim, porque além da parte artística, muitos de seus vasos traziam mensagens políticas e patrióticas...por exemplo, a libélula que aparece em seus vasos significa o luto pelas províncias anexadas pelos alemães; a "cruz de Lorena" com a "flor de lys" símbolo da França evocando Joana d'Arc; o "Dragão contra Pelicano" que foi dedicado aos patriotas irlandeses em luta contra a Inglaterra; o vaso "Os Homens Negros", onde a cor faz referência à consciência dos acusadores no caso de anti-semitismo envolvendo Dreyfus.

Vaso "Dragão contra Pelicano" de Emile Gallé

Uma das influências mais importantes na sua obra foi a arte japonesa, da qual ele apreciava o modo como ela representava a natureza (ele também era botânico), e este foi o foco da exposição de Vic sur Seille, da qual trago algumas obras no diaporama abaixo, com seus vasos e cerâmicas mostrando orquídeas, crisântemos, magnólias, libélulas, mariposas, morcegos, peixes, enfim as faunas e as floras terrestre e marítimas...espero que gostem.










Veja também :

Vídeo da exposição


11.8.09 | Autor: Maria Augusta

Este é um "castelos do meu caminho", fica na cidade vizinha de Villers les Nancy, já escrevi sobre ele e sua cidade no Jardin Ephemère : Esta cidade, satélite de Nancy também tem seu "village", o bairro antigo e charmoso, com suas ladeiras, sua igrejinha e seu lavoir. E tem também um castelinho com um belíssimo parque, chamado Madame de Graffigny. Ele foi rebatizado assim no Dia Internacional da Mulher em 2003, em homenagem a esta mulher que viveu no século das Luzes, autora das “Cartas de uma Peruana”, e que teve a audácia de abandonar um marido violento e existir por ela mesma, o que era uma proeza para a época. O castelinho atualmente pertence à municipalidade, que nele organiza reuniões e exposições, como é o caso desta em cartaz atualmente.

Feminilidade - Jean-No

Volto a falar dele porque como todos os anos no verão ele encheu seu jardim e suas salas de esculturas. Desta vez, talvez devido à crise, o número de artistas foi inferior ao dos anos precedentes, mas a qualidade das obras foi mantida. E principalmente, eles trouxeram novamente um dos meus escultores preferidos, Jean-No, que é daqui da região e trabalha o aço, tendo como inspiração principalmente os motivos étnicos africanos, e o resultado é de uma leveza extraordinária. Clique na imagem acima, para passear no jardim do castelo Madame de Graffigny e conhecer as esculturas deste e dos outros artistas graças ao diaporama.

6.7.09 | Autor: Maria Augusta

A região onde moro, a Lorraine, é famosa por seus cristais e pelos artistas que com ele trabalham, nela temos as cristalerias Baccarat, Daum, Saint-Louis...e aqui viveu Emile Gallé...A Abadia dos Premontrés,na cidade de Pont-à-Mousson aqui perto de Nancy, tem a tradição de apresentar a cada verão uma exposição tendo como tema este material. Há 2 anos foi o "Jardim de Cristal", no ano passado foram os pesos para papel de cristal e neste ano eles associaram o cristal ao perfume e realizaram uma mostra com um duplo enfoque : Os "Perfumes de Cristal" e o "Jardim dos Aromas".

(para ver a legenda da foto passe o mouse sobre a imagem sem clicar)









Para realizá-la, nos magníficos salões e corredores da Abadia eles trouxeram mais de 450 frascos de perfume e frascos para perfume, traçando a história dos grandes nomes da perfumaria do século XIX até hoje, e sua associação com os artistas do cristal, tais como Baccarat e Lalique, da qual nasceram frascos maravilhosos. Eles não esqueceram também do centenário da Feira Internacional de Nancy de 1909, incluindo obras de Emile Gallé, Majorelle, Daum e Lalique criadas na época art-nouveau. Como sou colecionadora de frascos de perfume (em miniatura) e apreciadora de tudo que é transparente como o vidro e o cristal, fiquei extasiada com esta exposição.

Mas o mais original estava no exterior da abadia, o "Jardim dos Aromas"...nele eles trouxeram mais de 6000 tipos de plantas que entram na composição dos perfumes : rosas, lavanda, flor de lys, jasmins, além de ervas aromáticas e agrumes. As plantas compunham uma cenografia projetada pelo paisagista Marc Lechien, na qual em torno de uma fonte central (que continha uma escultura em massa de cristal de Daum e exalava uma bruma) se distribuiam 4 canteiros nos quais se podia ver os frascos de perfume no meio dos vegetais dos quais foram extraidos seus aromas...Havia também 3 alambiques lembrando o tratamento que transforma as plantas em perfumes e 4 ifs(árvores) dentro de um envelope de "vime" lembrando os cuidados durante o transporte dos frascos. E o melhor, cada canto do jardim exalava um perfume diferente : rosa, tuberosa, jasmin e Ylang-Ylang. Além de bonito, o jardim era perfumado de verdade!

Tirei muitas fotos (pena que os odores não podem ser fotografados...) e coloquei em um diaporama no Picasa, pois este jardim merece ser visto em tamanho grande. Para entrar nele, basta clicar na foto abaixo...garanto que vale a pena...


Lembrete :

Hoje (dia 6 de julho, segunda feira) estou respondendo as "51 Perguntas para um Blogger" no "Pensieri e Parole" da Meire.

4.5.09 | Autor: Maria Augusta

Photobucket

Mais um dos castelos pelos quais passo nas minhas caminhadas matinais é este : o Castelo de Montet. Ele é um castelo "encantado", desaparece durante o verão e reaparece no inverno...porque ele se encontra num lugar alto, rodeado pela vegetação que o esconde, só se vê o alto de sua torre. No inverno porém as árvores perdem as folhas e se pode visualizá-lo por inteiro, embora não se saiba exatamente aonde, para achá-lo é preciso descobrir o caminho para chegar até ele, não é tão fácil.

Para mim ele é mais que uma passagem das minhas caminhadas. Há alguns Photobucketanos atrás fiz nele um curso de especialização na tecnologia da Internet no qual os colegas eram das mais variadas origens profissões e culturas : tínhamos engenheiros, farmacêuticos, professores de letras, filósofos, que eram franceses, alemães, argelinos, marroquinos, senegaleses, malianos, ingleses. As conversas na hora do café eram deliciosas, ficávamos filosofando sobre tudo, imaginem a diversidade de opiniões e tudo o que se podia aprender com tantos pontos de vista diferentes. Foi lá que me disseram que eu era epicurista... só porque na primavera quando me aproximava do castelinho dirigia bem devagarinho para saborear a paisagem...os que vinham atrás na rua estreita não conseguiam entender rs.

Da história deste castelo não conheço muito. Ele tem ares ao mesmo tempo de castelo gótico e da Renascença, os primeiros vestígios escritos de sua existência são do século XII, depois em 1527 sabe-se que o duque Antoine da Lorena o ofereceu a seu médico Jean Geoffroy. Mudou de mãos e foi destruido várias vezes sendo que sua última reconstrução data de 1880. Atualmente abriga um centro de informática pertencente à Universidade de Nancy.

Photobucket

22.4.09 | Autor: Maria Augusta

Esta foto retrata a natureza exuberante renascendo depois de meses de frio e inverno. Parece que renascemos com ela, pois nos sentimos reviver com a volta dos dias de sol e de calor. E é normal, pois fazemos parte da natureza, porisso toda iniciativa no sentido de corrigir os erros cometidos em relação a ela é importante, como é o caso do Movimento Natureza. Principalmente porque este propõe ações concretas, como a sugestão de plantar árvores.

No meu caso, plantar árvores no momento não foi possível, mas este projeto me fez refletir ao que faço de concreto no meu dia a dia no sentido de minimizar o impacto de meus atos sobre o meio ambiente. Neste sentido, poderia enumerar :
  • uma redução considerável do uso do papel : imprimo o mínimo possível, utilizo os dois lados das folhas quando preciso escrever, e reutilizo mesmo os envelopes para fazer pequenos lembretes. E quando precisamos descartar os jornais, sempre o fazemos nos recipientes de reciclagem que temos aqui no bairro.


  • no que se refere à alimentação, abolimos o que pode ser "exótico" e vir de longe (foi o mais difícil, pois tive que renunciar aos produtos brasileiros), procurando privilegiar os produtos regionais e se possível com a etiqueta " bio " e sempre da estação. Deixamos de lado também os peixes como o bacalhau e o cação, que estão em fase de extinção.


  • em termos de consumo de água, mudei meu modo de lavar a louça, uso água corrente só para o enxague, o detergente é colocado em " batch " onde a louça é mergulhada (só uso a máquina quando temos um grande volume de louça).


  • em relação à economia de eletricidade, não deixamos mais a televisão ou o computador em " veille ", desligamos completamente quando não estamos usando. Também perdi o hábito de deixar as luzes da casa toda acesas, agora elas só se acendem nos cômodos onde estamos. Sei que o grande consumo de energia aqui é para a calefação no inverno, mas sobre isto não temos controle direto, pois a calefação é central para o imóvel, mas procuramos manter as janelas bem fechadas para não causar desperdícios.


  • participei dos grupos formados aqui na prefeitura visando discutir sobre o tipo de melhoria que poderia ser introduzida em cada setor como educação, transportes, urbanismo, etc., visando uma redução máxima da emissão de CO2 na cidade.
Estou consciente de que isto é apenas um pequeno passo, resta muito a fazer, principalmente no que se refere ao transporte. Aqui na cidade dá para andar a pé ou pegar o " tramway ", mas quando saimos dela temos o hábito de viajar de carro…embora tenhamos uma rede de trens excelentes, principalmente o TGV (trem bala) como opção. Em relação a outros itens de consumo, acho difícil renunciar a alguns hábitos mas se prestarmos atenção podemos comprar produtos que foram realizadas de modo sustentável, vários setores já incluem o respeito ao meio ambiente em sua produção, embora os produtos sejam um pouco mais caros.

E voilà um diaporama mostrando alguns gestos do meu cotidiano :


E não deixe de visitar o "Faça a sua Parte" onde é Dia da Terra o ano inteiro e fornece dicas preciosas para um dia-a-dia sustentável. Hoje ele está apresentando uma discussão e uma série de links de blogs que estão falando sobre esta tema.

E como hoje além de ser o "Dia da Terra" é também o aniversário do descobrimento da Pátria Amada, eu os convido a comemorar lendo "O Fractal Verde e Amarelo" no Le Jardin Ephémère.


30.3.09 | Autor: Maria Augusta

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Este castelinho chamado Charmois fica aqui pertinho de casa, posso ver o alto de suas árvores da minha janela. Gosto muito dele pois é charmoso e pequeno, me faz pensar no castelo da Branca de Neve e dos 7 Anões. O estilo dele parece da Renascença, mas na verdade ele foi construido no século XIX.

Fica no meio de um parque com jardins e um espelho d'água e muitas vezes já peguei meu material e fui trabalhar à sombra de suas árvores, ouvindo os trinados dos pássaros, pois nele existe um refúgio, com varias espécies. Felizmente, durante o vendaval de 1999, que destruiu a metade das árvores da França, ele não foi muito afetado.

No lugar onde ele se encontra, já habitou o pintor oficial (Claude Joseph Gilles chamado : o Provençal) do Rei Stanislas, sogro de Luis XV. Durante a II Guerra Mundial os alemães usaram suas cavalariças como prisão. Atualmente o castelo pertence à prefeitura, que nele abriga uma associação de pétanque (jogo com bolas metálicas tipicamente francês), realiza reuniões com os habitantes, exposições e aluga seus salões para festas como casamentos e aniversários.

Ele é um dos "castelos do meu caminho", quando saio para fazer caminhadas nos dias de primavera...e lá vou eu, até logo!

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