A Lorraine, aqui na França, é uma região do "interior", e Nancy, cidade onde moro fica a aproximadamente 300 Km de Paris...mas embora não seja tão badalada quanto a Capital, ou as regiões do sul como a Côte d'Azur aqui também acontecem coisas interessantes. E uma delas começou a acontecer há mais de 100 anos (na época a cidade recebeu um grande afluxo de capitais dos vizinhos alsacianos ricos que fugiram do dominio alemão, que por ter vencido a guerra de 1870 anexaram a Alsácia e boa parte da Lorraine) e foi a art nouveau, movimento do qual Nancy foi um berço aqui na França. Pessoalmente o que aprecio na art nouveau é que ela estendeu a palavra "arte", que antes era aplicada somente à pintura, escultura e arquitetura aos objetos do cotidiano, como os vasos, os vitrais, os móveis, as jóias, criando o que chamamos hoje de "artes decorativas"...sem falar nos temas trazidos da natureza, como os pássaros, as flores e plantas em geral, a mulher, o mar. E neste verão a região relembrou a "art nouveau" trazendo várias exposições, sendo que a mais interessante foi a de Emile Gallé, na cidade de Vic sur Seille. Vaso de Emile Gallé tendo como tema a orquídea Emile Gallé foi um dos maiores expoentes da art nouveau, com seus móveis de marqueteria, suas cerâmicas e principalmente seus vasos de vidro e cristal cheios de simbolismos. Sim, porque além da parte artística, muitos de seus vasos traziam mensagens políticas e patrióticas...por exemplo, a libélula que aparece em seus vasos significa o luto pelas províncias anexadas pelos alemães; a "cruz de Lorena" com a "flor de lys" símbolo da França evocando Joana d'Arc; o "Dragão contra Pelicano" que foi dedicado aos patriotas irlandeses em luta contra a Inglaterra; o vaso "Os Homens Negros", onde a cor faz referência à consciência dos acusadores no caso de anti-semitismo envolvendo Dreyfus. Vaso "Dragão contra Pelicano" de Emile Gallé Uma das influências mais importantes na sua obra foi a arte japonesa, da qual ele apreciava o modo como ela representava a natureza (ele também era botânico), e este foi o foco da exposição de Vic sur Seille, da qual trago algumas obras no diaporama abaixo, com seus vasos e cerâmicas mostrando orquídeas, crisântemos, magnólias, libélulas, mariposas, morcegos, peixes, enfim as faunas e as floras terrestre e marítimas...espero que gostem.
Vídeo da exposição |
Feminilidade - Jean-No
Volto a falar dele porque como todos os anos no verão ele encheu seu jardim e suas salas de esculturas. Desta vez, talvez devido à crise, o número de artistas foi inferior ao dos anos precedentes, mas a qualidade das obras foi mantida. E principalmente, eles trouxeram novamente um dos meus escultores preferidos, Jean-No, que é daqui da região e trabalha o aço, tendo como inspiração principalmente os motivos étnicos africanos, e o resultado é de uma leveza extraordinária. Clique na imagem acima, para passear no jardim do castelo Madame de Graffigny e conhecer as esculturas deste e dos outros artistas graças ao diaporama.
A região onde moro, a Lorraine, é famosa por seus cristais e pelos artistas que com ele trabalham, nela temos as cristalerias Baccarat, Daum, Saint-Louis...e aqui viveu Emile Gallé...A Abadia dos Premontrés,na cidade de Pont-à-Mousson aqui perto de Nancy, tem a tradição de apresentar a cada verão uma exposição tendo como tema este material. Há 2 anos foi o "Jardim de Cristal", no ano passado foram os pesos para papel de cristal e neste ano eles associaram o cristal ao perfume e realizaram uma mostra com um duplo enfoque : Os "Perfumes de Cristal" e o "Jardim dos Aromas". (para ver a legenda da foto passe o mouse sobre a imagem sem clicar)
Para realizá-la, nos magníficos salões e corredores da Abadia eles trouxeram mais de 450 frascos de perfume e frascos para perfume, traçando a história dos grandes nomes da perfumaria do século XIX até hoje, e sua associação com os artistas do cristal, tais como Baccarat e Lalique, da qual nasceram frascos maravilhosos. Eles não esqueceram também do centenário da Feira Internacional de Nancy de 1909, incluindo obras de Emile Gallé, Majorelle, Daum e Lalique criadas na época art-nouveau. Como sou colecionadora de frascos de perfume (em miniatura) e apreciadora de tudo que é transparente como o vidro e o cristal, fiquei extasiada com esta exposição. Mas o mais original estava no exterior da abadia, o "Jardim dos Aromas"...nele eles trouxeram mais de 6000 tipos de plantas que entram na composição dos perfumes : rosas, lavanda, flor de lys, jasmins, além de ervas aromáticas e agrumes. As plantas compunham uma cenografia projetada pelo paisagista Marc Lechien, na qual em torno de uma fonte central (que continha uma escultura em massa de cristal de Daum e exalava uma bruma) se distribuiam 4 canteiros nos quais se podia ver os frascos de perfume no meio dos vegetais dos quais foram extraidos seus aromas...Havia também 3 alambiques lembrando o tratamento que transforma as plantas em perfumes e 4 ifs(árvores) dentro de um envelope de "vime" lembrando os cuidados durante o transporte dos frascos. E o melhor, cada canto do jardim exalava um perfume diferente : rosa, tuberosa, jasmin e Ylang-Ylang. Além de bonito, o jardim era perfumado de verdade! Tirei muitas fotos (pena que os odores não podem ser fotografados...) e coloquei em um diaporama no Picasa, pois este jardim merece ser visto em tamanho grande. Para entrar nele, basta clicar na foto abaixo...garanto que vale a pena... Lembrete : Hoje (dia 6 de julho, segunda feira) estou respondendo as "51 Perguntas para um Blogger" no "Pensieri e Parole" da Meire. |
Para mim ele é mais que uma passagem das minhas caminhadas. Há alguns
Da história deste castelo não conheço muito. Ele tem ares ao mesmo tempo de castelo gótico e da Renascença, os primeiros vestígios escritos de sua existência são do século XII, depois em 1527 sabe-se que o duque Antoine da Lorena o ofereceu a seu médico Jean Geoffroy. Mudou de mãos e foi destruido várias vezes sendo que sua última reconstrução data de 1880. Atualmente abriga um centro de informática pertencente à Universidade de Nancy.
| Esta foto retrata a natureza exuberante renascendo depois de meses de frio e inverno. Parece que renascemos com ela, pois nos sentimos reviver com a volta dos dias de sol e de calor. E é normal, pois fazemos parte da natureza, porisso toda iniciativa no sentido de corrigir os erros cometidos em relação a ela é importante, como é o caso do Movimento Natureza. Principalmente porque este propõe ações concretas, como a sugestão de plantar árvores. No meu caso, plantar árvores no momento não foi possível, mas este projeto me fez refletir ao que faço de concreto no meu dia a dia no sentido de minimizar o impacto de meus atos sobre o meio ambiente. Neste sentido, poderia enumerar :
E voilà um diaporama mostrando alguns gestos do meu cotidiano :
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Este castelinho chamado Charmois fica aqui pertinho de casa, posso ver o alto de suas árvores da minha janela. Gosto muito dele pois é charmoso e pequeno, me faz pensar no castelo da Branca de Neve e dos 7 Anões. O estilo dele parece da Renascença, mas na verdade ele foi construido no século XIX.
Fica no meio de um parque com jardins e um espelho d'água e muitas vezes já peguei meu material e fui trabalhar à sombra de suas árvores, ouvindo os trinados dos pássaros, pois nele existe um refúgio, com varias espécies. Felizmente, durante o vendaval de 1999, que destruiu a metade das árvores da França, ele não foi muito afetado.
No lugar onde ele se encontra, já habitou o pintor oficial (Claude Joseph Gilles chamado : o Provençal) do Rei Stanislas, sogro de Luis XV. Durante a II Guerra Mundial os alemães usaram suas cavalariças como prisão. Atualmente o castelo pertence à prefeitura, que nele abriga uma associação de pétanque (jogo com bolas metálicas tipicamente francês), realiza reuniões com os habitantes, exposições e aluga seus salões para festas como casamentos e aniversários.
Ele é um dos "castelos do meu caminho", quando saio para fazer caminhadas nos dias de primavera...e lá vou eu, até logo!

