2.12.09 | Autor: Maria Augusta

© Éric Lefranc/Biosphot

Começa dentro de alguns dias em Copenhague a COP15 (United Nations Climate Change Conference) e devido ao seu carater fundamental para o futuro do planeta, me perguntei sobre o que vai acontecer nela e trouxe algumas respostas para este Ecological Day :

1. O que está em jogo em Copenhague?

É o próprio futuro do planeta...Sim, porque lá estarão reunidos líderes do mundo inteiro sob a égide da ONU para propor suas soluções em relação ao objetivo de redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa. A meta é a limitação do aumento de temperatura a 2°C até 2050, pois se ela sobe além deste limite as consequências serão catastróficas, segundo o GIEC (Grupo de Experts Intergovernamental sobre a Evolução do Clima). Para alcançar este objetivo as nações industrializadas deveriam reduzir a emissão dos gases que causam o efeito estufa a partir de 2005, como foi decretado no protocolo de Quioto em 1997. O objetivo do encontro de Copenhague é reforçar estas medidas e induzir os paises a se comprometer em relação ao cumprimento delas.

2. Qual são os obstáculos?

O grande obstáculo vem dos maiores poluidores, os Estados Unidos e a China. Os Estados Unidos não ratificaram o Tratado de Quioto e se tem se negado a adotar medidas muito restritivas para reduzir as emissões de CO2. A China, que é o maior poluidor atualmente também tem mostrado resistência a adotar medidas que poderiam frear seu desenvolvimento.

Mas em relação aos dois, parece que uma pequena luz se vislumbra no fim do túnel, pois tanto o presidente Hu Jintao da China, quanto Barack Obama já declararam que estarão presentes a Copenhague. Este último com uma proposta de redução de 17% para 2020, depois 30% para 2025 e 42% para 2030 em relação aos níveis de 2005. O objetivo é considerado modesto pelos ecologistas, mas é visto como um bom sinal para os mais otimistas.

Quanto à China, que tem sofrido repetidamente com grandes secas, chuvas ácidas e uma enorme poluição em suas grandes cidades, parece mostrar sinais de boa vontade com um amplo projeto de reflorestamento e de investimento nas tecnologias "verdes", apesar da reticência em relação às medidas restritivas obrigatórias das emissões de CO2 (70% de sua energia tem como origem o carvão).

3. O que prevê o plano?

O objetivo geral (mas não unânime) é a limitação do aumento de temperatura a 2°C daqui até 2050. Por outro lado ele imporia também uma redução de 25% a 40% das emiisões dos gases causadores do efeito estufa até 2020 por parte dos paises industrializados (vários deles como o Canadá, a Itália, a Espanha, a Áustria já declararam que é uma meta inalcançável...) e uma ajuda aos paises em desenvolvimento visando ajudá-los a implementar seus programas "verdes".

4. Quanto custa e quem vai pagar?

O custo das medidas propostas se elevaria a 100 bilhões de euros por ano e a grande questão é "Quem vai pagar?" Certamente os paises ditos industrializados, que foram os maiores responsáveis pela poluição até agora, mas cada um teme mostrar a "nota" aos seus cidadãos em pleno período de crise financeira. A França sugeriu que cada transação financeira mundial receba uma taxa de 0.01% para cobrir esta "despesa", mas os Estados Unidos não são favoráveis a ela...logo esta é uma questão importante que será discutida em Copenhague e que pode bloquear as negociações.

5. E o Brasil, o que propõe?

O Brasil que tem sido considerado como vilão devido ao desmatamento da Amazônia e deseja mudar de imagem, vai apresentar metas como 39% de redução da emissão de CO2 e a redução de 80% do desmatamento da Amazônia, ambos para 2020 (poderia ser melhor, como desmatamento "0", não é mesmo?).

6. Se as negociações fracassarem, existe um plano B?

O que se teme é que este "sommet" termine com um simples acordo político, sem medidas restritivas obrigatórias. Neste caso, estas seriam previstas para serem assinadas em 2010, no México...será que o planeta pode esperar?


Observação Importante : O Faça a sua Parte esta seguindo passo a passo os acontecimentos referentes à COP15 com uma análise crítica desde os preparativos, não deixe de ler.


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11 comentários :

On 2 de dezembro de 2009 15:31 , Georgia disse...

Maria Augusta, parabéns pelo post tao bem explicado.

É muita grana!!!

Todos nós temos esperancas de que depois desse encontro algo vá mudar. Nao sei se o aquecimento é assim por causa das pessoas que estao desmatando a natureza. Muito se sabe que o Sol, nossa maior grandeza tende a morrer e que antes disso ele vai cuspir muito fogo independente se estamos super aquecendo o nosso planeta.

Mas que podemos com isso mudar a nossa atitude para termos um planeta mais consciente e desenvolvido, ah, isso sim podemos fazer e temos a obrigacao de fazê-lo.

Um beijao

 
On 2 de dezembro de 2009 18:12 , sonia a. mascaro disse...

Ótima a sua participação no Ecological Day, Maria Augusta! Você escolheu um tema atualíssimo e muito importante e desenvolveu-o de maneira muito clara e objetiva. Fico abismada que os maiores poluidores do Planeta sejam os Estados Unidos e a China! Nosso Planeta tem 6,8 bilhões de habitantes e como ficará a sustentabilidade do nosso mundo humano, se o aquecimento global continuar a aumentar? Segundo um artigo que li da jornalista Ateneia Feijó, o nosso planeta não corre risco de se acabar com o aquecimento global. Mas se nada for feito, os atuais padrões de produção e consumo o tornarão infernal para nossos netos e inabitável para seus descendentes. Ou seja, o planeta continuará a existir. A humanidade, talvez não. Link para o artigo Aqui.

Muito obrigada pela sua sempre excelente participação no Ecological Day!
Beijos e um ótimo dia!

 
On 2 de dezembro de 2009 19:15 , Marco disse...

Olha, eu lembro daquele filme "O dia depois da amanhã" cada vez que ouço falar dessa convenção. É ficção? Sim, é claro, mas a realidade está cada vez mais próxima da ficção infelizmente.
Não sei, outro dia mesmo ouvi o Lula dizendo que é impossível impedir o desmatamento na Amazônia. São suas pérolas. Veremos qual será o resultado final.
Eu tenho acompanhado de perto o movimento tic tac tic tac. Aqui em São Paulo há um enorme relógio contando as horas que faltam para Copenhague.
Movimentos não nos faltam, atitudes porém... Há países mais preocupados em enviar tropas para cá e para lá. O clima continua em segundo plano. Mas até quando o planeta vai aguentar isso tudo?
Grande abraço

 
On 3 de dezembro de 2009 02:04 , expressodalinha disse...

Muito esclarecedor. Não tinha tido hipótese de analisar em detalhe. Muito cinicamente, direi: e por debaixo daqueles gelos que tesouros minerias não escondem os pólos? E que desejo ganancioso não ocorre às petrolífers mundiais?

 
On 3 de dezembro de 2009 02:16 , Luma Rosa disse...

Seguindo a linha do comentário da Sônia - se a terra ficar infernal para vivermos, não dará na mesma se tudo acabar n'água? Enquanto houver o jogo de empurra, empurra e nenhuma medida for tomada, estaremos indo de encontro ao fim, ao contrário do que definitivamente, deveríamos fazer, que é assumir a culpa que cada um tem e dada a sua parcela de responsabilidade, contribuir para tentar minimizar o caos. Eu dei um exemplo no "Faça a sua parte" que poderia complementar este post. Beijus,

 
On 3 de dezembro de 2009 09:47 , Maria Augusta disse...

Georgia, para motivar os "terráqueos" a palavra-chave é "grana", como você disse. Se precisamos salvar o planeta é preciso mostrar que isto traz lucro para os gananciosos, senão nada vai acontecer. Logo mudar os meios de energia e implementar o desenvolvimento sustentável com novos modos de consumir pode ser uma fonte de novos lucros para muitos...e isto pode salvar a humanidade sobre a Terra. Acho que é o argumento que pode funcionar, pois salvar as gerações futuras parece que não tem interessado aos mais poderosos...
Um beijão.

Sonia, você tem razão, o que está em perigo não é o planeta, mas o homem sobre ele...pois a vida reencontrará sempre um caminho mas não existirão condições climáticas para que nossa espécie continue a existir, se não mudarmos nossa maneira de agir em relação ao planeta que nos acolhe.
Um grande beijo.

Marco, para as armas sempre aparece dinheiro, não é mesmo? Fico me perguntando para que o Brasil precisa de aviões de guerra e de submarinos nucleares no momento. Este dinheiro poderia servir para o desenvolvimento humano da população, criar empregos e construir escolas e hospitais, implementar o desenvolvimento sustentável. Se espera dinheiro de fora para parar o desmatamento da Amazônia. Porque?
Um abração.

Jorge, é mesmo, existem tantos minerais ali no Polo Norte que poderão ser explorados se o gelo fundir, estão pensando até em fazer uma rota marítima de veraneio rs...
Um grande abraço.

Luma, o jogo de empurra-empurra esta homérico, eu farei isto se o "vizinho" fizer e todos ficam de braços cruzados. Quanto ao comentário que você citou, o Afonso o desenvolveu no "Faça a sua Parte" e coloquei um link para lá.
Um beijão.

 
On 3 de dezembro de 2009 16:24 , Leandro Souza disse...

Ótimo post de esclarecimento sobre um tema tão importante! Parabéns pela iniciativa de entrar no lado político da questão.

 
On 3 de dezembro de 2009 17:03 , Lunna disse...

Boa tarde Maria Augusta, olha, sinceramente eu não acho que o valor em questão seja tão alto quanto alegam. Por enquanto eu acho que está até barato demais porque imagina o preço real que iremos pagar se o clima do planeta surtar de vez? Então iremos perceber que era pouco.
Mas há dinheiro no mundo pra tanta coisa, não é mesmo? O Brasil está comprando aviões de guerra, submarinos nucleares. A Venezuela comprou tanques, os EUA vão mandar soldados sei lá eu pra onde... Ou seja, dinheiro tem bastante, o problema é onde estão investindo.
Beijos

 
On 4 de dezembro de 2009 09:24 , Maria Augusta disse...

Leandro, o lado político é o que vai decidir tudo, embora só tenha narrado o que está acontecendo sem entrar em julgamentos a respeito.
Abraços.

Lunna, a mudança climatica não está sendo levada a sério e não entrou ainda na prioridade dos investimentos. Tomara que isto mude antes que seja tarde demais, né?
Um beijão.

 
On 4 de dezembro de 2009 11:58 , Francy´s Oliva disse...

Eu acho que ninguém esta levando isso a sério, mas deveriam. Aqui em São Paulo o clima está completamente pirado. Esses dias chegou a 34º e em menos de uma hora a temperatura despencou e metade da cidade ficou alagada graças a um temporal.
Se aqui está assim, imagina no resto do mundo.
Beijitos

 
On 5 de dezembro de 2009 13:33 , Maria Augusta disse...

Francy's, ninguém está levando a sério e existem controvérsias se o aquecimento climático é de origem humana ou não, mas é preciso garantir que se o for, faremos o possível para corrigi-lo. No entanto, é inegável que os recursos do planeta são limitados, e que é preciso encontrar um novo modo de viver, não digo que de qualidade inferior, mas diferente, para enfrentar este problema. Obrigada pelo comentário e um grande beijo.