14.4.10 | Autor: Maria Augusta

Damien Hirst e seu "Tubarão"
lepoint.fr ©VALERY HACHE / AFP

Muito se tem discutido sobre o valor artístico (e financeiro...) da arte contemporânea. E sem dúvida, um dos artistas mais controvertidos de nossos dias é Damien Hirst. Ele coleciona "escândalos" seja pelo insólito de sua obra, seja devido aos preços que seus trabalhos alcançam no mercado internacional. É chamado "o tubarão", talvez devido à sua obra mais célebre, um tubarão gigante mergulhado em um tanque de formol que foi vendido a um milionário americano pela bagatela de 12 milhões de dólares. Em 2007 ele tornou a fazer sensação criando um crânio de platina cravejado de diamantes avaliado em 100 milhões de dólares (dizem que ele não o vendeu e que ele foi desmontado para recuperar as pedras). Em 2008 ele continuou a criar o espanto, vendendo 223 obras inéditas por 89 milhões de dólares na Sotheby's...sem falar que suas exposições contem sangue de animal espirrado nas paredes e nas obras.



Mas a verdadeira questão é : "Qual é o verdadeiro valor de suas obras"? Pessoalmente, não sou fã, acho horrível aquela ovelha cortada ao meio imersa no formaldeido que está no diaporama abaixo por exemplo. Este mostra algumas de suas obras que estão sendo expostas no Museu Oceanográfico de Mônaco atualmente (clique nas miniaturas para ampliar as imagens ou use o "fullscreen"). Será arte ou não?



Fonte principal : Le Point (lepoint.fr)
Categoria: |
You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

13 comentários :

On 14 de abril de 2010 16:37 , Eduardo P.L disse...

Muito bem, Maria Augusta! Gosto de ver blogs enveredando no sentido de desvendar os "mistérios" da ARTE!
Minha opinião?
Arte é tudo que é feito por um artista!
Assim como um padeiro faz pães, o artista faz arte! Gosta-se ou não dos pães e das obras, mas gosto não se discute! E nem o preço dos pães! srsrs

 
On 14 de abril de 2010 17:33 , Georgia disse...

Maria Augusta, também nao gosto dele e nem acho nada demais nas suas obras a nao ser a loucura que é. Há ppouco tempo aqui na TV passou um documentário de como foi a trajetória e toda a seguranca desses diamantes.

Um beijo grande e boa semana

 
On 14 de abril de 2010 20:12 , Marco disse...

Eu acho que é arte sim e a arte causa justamente esse impacto (por isso é um grande divisor de águas). Pra mim não diz nada, mas não deixa de ser arte por isso. Há quem goste e pague por tal, pronto.
Grande abraço e que prazer da minha parte voltar a ler seus posts.

 
On 14 de abril de 2010 22:25 , Fatima Cristina disse...

Oi Maria Augusta,

A arte nem sempre desperta bons sentimentos, ou bem estar. A arte de Hirst com certeza é a mais polêmica dos nossos tempos. Ele retrabalha a morte e nos mostra o lado de seres humanos pós-morte que nos as vezes dá nauseas de ver.
Na verdade, se compararmos o trabalho dele de agora com o de Rembrandt, com suas telas de anatomia, no século 17, acho que o choque polêmico deve ter sido naquela época pior ou igual ao de Hirst agora. No entanto, ninguém agora contesta se aquelas telas sao arte ou nao. Já as engolimos com o passar dos (muitos) anos...

Para mim, Damien Hirst além de ser um artista plástico contemporâneo de impacto, é um grande market-man de sua própria arte. Ele consegue "fazer fortuna" com seu trabalho ainda em vida. Isto sim é que é uma arte rara!

Beijos!

 
On 14 de abril de 2010 22:27 , Fatima Cristina disse...

Parabéns pelo post!

Como sempre nota 10!

 
On 14 de abril de 2010 23:35 , teoriasimpossiveis disse...

Boa noite carissima, olha, eu acho que a arte é algo pessoal e depende de quem olha, eu por exemplo não gosto muito do momento contemporâneo da arte. Há exageros e a tal pressa por atenção, por fama. Parece que o artista quer ser mais importante que sua arte. Estamos perdendo o foco daquilo que realmente interessa.
Antigamente não era possível citar o artista sem falar de seus valiosos trabalhos, hoje é completamente possível lembrar-se apenas do artista sem nos lembrarmos de sua arte. Ontem mesmo vi uma exposição em que gravei o nome do dito cujo denominado artista, mas não lembro de uma só produção dele. Nada fez sentido ao meu olhar.
Sei lá, acho que estamos em transição, é preciso silêncio para haver barulho, não é mesmo?
Bacio

 
On 15 de abril de 2010 06:37 , sonia a. mascaro disse...

Um instigante e ótimo post, Maria Augusta. Ele nos convida a refletir sobre o conceito de arte e também o que é ser artista... Nada simples... Achei interessante a colocação da Lunna e concordo em muitos pontos com ela. Parece mesmo que o foco principal é o artista e não a arte que ele produz...
Também não sou fã do Damien Hirst, mas achei bem interessante a escultura da mulher grávida, a Virgin Mother, que está em NY. (Clicar para ver)
Bom ter a oportunidade de ver algumas de suas obras no diaporama!
Beijos.

 
On 15 de abril de 2010 16:09 , Maria Augusta disse...

Eduardo, é verdade que o preço das obras de arte "nem Freud explica", é a lei da oferta e da procura. Mas é como a bolsa de valores, de um dia para outro pode desmoronar...
Abraços.

Georgia, parece que a caveira de diamantes não encontrou comprador e foi adquirida por um "consórcio de fachada" do próprio Hirst, para poder salvar a face e manter a cota lá em cima.
Um beijão.

Marco, arte é criação, e a dele é feita para chocar. Parece que quanto maior o impacto (embora negativo), maior é o preço, ele achou a fórmula.
Um grande abraço.

Fátima, é verdade que no século XVII o impacto causado por obras assim deve ter sido ainda maior. Pode ser que com o passar do tempo o trabalho do Hirst passe a ser menos polêmico e encontre unanimidade...
Um beijão.

Lunna, acho que saber atrair a atenção também é uma arte (que aliás ele domina muito bem) porisso atualmente alguns artistas são mais importantes que sua obra.
Beijos.

Sonia, pois é, a idéia do artista pobre e idealista está ultrapassada mesmo. Acho legal que eles ganhem com o fruto de seu trabalho ainda em vida, mas me pergunto se as pessoas que pagam estes preços gostam das obras, ou também querem atrair a atenção para si rs. A "Virgin Mother" também faz parte desta exposição que está havendo em Mônaco.
Um grande beijo.

 
On 15 de abril de 2010 17:29 , expressodalinha disse...

Óptima polémica. Pessoalmente odeio. Pessoalmente não tenho dinheiro e se tivesse não comprava. Agora ser arte é. A partir do momento em que há uma formulação subjectiva e deliberada para criar um objecto diferente da realidade e sujeito a diversas interpretações, é arte.

 
On 17 de abril de 2010 17:43 , sonia a. mascaro disse...

Maria Augusta,
Obrigada pelos elogios!
Tenho viajado vicariamente através de muitas amigas... Uma das mais antigas, é a Letitia (Austrália), que assina Freefalling e tem aquele carrinho antigo que é uma graça. As fotos do seu blog Poof - And It's Gone - são muito bonitas e expressivas. Mas lá os comentários não estão habilitados.
Beijos e um ótimo final de semana.

 
On 17 de abril de 2010 20:00 , Diz disse...

Olá, qto tempo.
Tb não gosto de quase nada de arte contemporânea- mas é arte, como disseram ai- gostei do que disse o Jorge.
Qto ao valor o mercado é tão louco- veja o q ganha um jogador de futebol, ou uma modelo Top. Os sujeitos nãotêm culpa- a culpa, se existe, é do mercado -ai é outra discussão, né?
bjs e saudades, Laura

 
On 18 de abril de 2010 10:04 , http://graceolsson.com/blog disse...

Maria Augusta,

Bom Dia!
Eu te encontrei no Eduardo e vim te visitar. Mesmo já tendo te visitado outras vezes e nao lembro de ter deixado comentário. mas, veja só...esse rapaz é um artista.Quer atraindo atencoes ou criando a "arte " dele.Muitas vezes, as pessoas nao entendem a arte,de forma rápida. mas, eu creio que, o principal objetvo da arte, deva ser CHAMAR A ATENCAO. PARA UMA RAZAO MAIOR que é a mensagem que o a rtista quer passar,.
Assim como um texto lido nas linhas e entrelinhas...um fotógrafo, um designer, um grafiteiro...cada um a seu modo...quer falar alguma coisa...E, muitas vezes, precisamos parar, refletir e descobrir(certo ou nao)o quê ele queria dizer...
Acho que a vida é muito, mas muito curta, para nao parar , pensar e refletir sobre ela.
Eu demorei 12 anos para viver de arte. E, hoje, eu paro, vejo uma flor quase a morrer...Mas, eu onsigo extrair o que de belo ela tem: a essência da vida..Mesmo ao se está morrendo.

Bom Domingo!'
http://graceolsson.com/blog/2010/04/a-flower-called-flavia-at-flowers-from-today/

 
On 19 de abril de 2010 08:45 , Maria Augusta disse...

Jorge, a arte contemporânea tem muito de provocação, parece que quer levar à uma reação do público, mesmo que negativa. Obrigada por opinar nesta polêmica.
Abraços.

Sonia, as fotos de seu blog são sempre fantásticas, e que boa idéia você teve trazendo as fotos de suas amigas em torno do mundo.
Um beijão.

Grace, obrigada pela visita. É verdade, atrás do impacto visual que a obra nos causa devemos procurar a mensagem do artista, e isto leva a várias interpretações. Que legal que você faz parte deste artistas que procura transmitir a beleza nas tuas obras.
Um grande beijo e volte sempre.